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Fónix Lab

Laboratório para exprimir (opiniões) admiração, indignação ou impaciência, em torno de temas atuais.

Fónix Lab

Laboratório para exprimir (opiniões) admiração, indignação ou impaciência, em torno de temas atuais.

Verdade 4.0: a era da manipulação

particularidades e evoluções

18
Nov19

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Numa estrada do interior do país, isolados do mundo, sem telefone e, como calculam, desesperados com a inexistência de internet, demos por nós a cogitar sobre os tão apregoados "avanços tecnológicos", presumivelmente criados para nos servir.

E é vê-los a falhar, caro leitor!

A conversa fluiu entre os passageiros do carro que, felizmente, não era elétrico, pois pontos de carregamento nem um, nem mesmo bombas de gasolina. Valeu-nos o carro atestado. Este isolamento conduziu-nos à realidade 1.0, caraterizada por um mundo estático, onde nos limitávamos a observar o que nos rodeava, sem poder interagir, porque não havia com o quê. 

Foi assim que nos sentimos, amigo leitor! Meros observadores.

Os políticos gostavam deste tempo, pois o cidadão era passivo e as suas reações, ainda que existissem, passavam despercebidas.

Fomos avançando na viagem, cada vez mais preocupados com o ponteiro do gasóleo...

Caro leitor, como disse um companheiro de viagem, "ainda bem que o carro é a gasoil, se fosse a gasolina já estávamos à boleia! Como não passa um carro por aqui, nem há telefone, estávamos tramados".

Resolvemos sair da estrada nacional, rumo a uma pequena cidade do interior. Chegados, vimo-nos no mundo 2.0. Já tinhamos rede, apesar da intermitência do sinal, e sentimo-nos parte daquela pequena comunidade. Quiseram saber quem éramos, de onde vínhamos, o que fazíamos.

Enfim, caro leitor, sentimo-nos como os utilizadores da web 2.0 que, sem darem conta, colocavam em risco os seus dados confidenciais.

Não havia multibanco, não aceitavam Visa, porque não gostavam dessas modernices, o MB Way era coisa do outro mundo... e, como só tínhamos 10€, limitámo-nos a tirar o carro da reserva... graças a Deus era a "gasoil".

Tivemos de rumar para o mundo 3.0. Um mundo mais complexo, em que nos compreendiam tão bem como as máquinas - abençoada web semântica, amigo leitor - e em que ninguém se preocupou em saber quem éramos. Aliás, o funcionário do posto de abastecimento passou o tempo a navegar no Facebook e mal nos encarou, apaixonado pelas publicidades escolhidas pelo algoritmo, à sua medida.

É a socieddade do big brother em que o poder nos vigia e sabe a cada instante o que fazemos, o que temos, onde andamos... e com quem interagimos. Tudo isto feito em nome de uma democracia plena.

Uma olhadela pelo escaparate dos jornais levou-nos a imaginar o mundo 4.0! E já que ninguém queria saber de nós - que saudades do interior de Portugal, dolente leitor - não tivemos outro remédio se não o de falar entre nós, o que acabou por se adequar na perfeição à sociedade 4.0, onde o modelo de interação, mais completo e personalizado, é como um espelho mágico que nos dá aquilo que "aparentemente precisamos".

Caro leitor, basicamente, andamos sempre a "comer" o mesmo, pois a inteligência artificial encerra-nos no nosso mundo e só nos mostra aquilo de que gostamos. Fónix! Então agora não podemos experimentar outras coisas?!

Somos apologistas da evolução e acreditamos que a inteligência artificial pode mudar e melhorar radicalmente a nossa vida, através da investigação e do desenvolvimento de novas soluções. Mas custa-nos pensar que somos dominados por conexões que as máquinas analisam à luz das vontades de alguns poderosos que assim NOS manipulam.

Esta nova era, caraterizada pela desinformação e pela manipulação das massas - o tal efeito Trump, caro leitor... já deve ter ouvido falar! - pode levar a sociedade para o abismo. Acreditamos que a educação é o antídoto para um mundo, muitas vezes, "de faz de conta", em que o conhecimento, o espírito crítico, a liberdade de pensamento e a autonomia de atuação de cada um de nós é o bem mais precioso, a preservar.

PS. Retomamos a estrada em silêncio. Estes momentos introspetivos fazem-nos mal. Um silêncio nostálgico tomou conta da viagem. Afinal, não somos mais do que passageiros em trânsito... 

 

 

Faz de conta...

Portugal no reino do faz de conta

02
Nov19

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Numa tarde cinzenta, descíamos a Avenida da Liberdade, quando reparámos que as lojas das marcas de referência estavam cheias de estrangeiros. Comentámos que a classe média portuguesa jamais poderia ser cliente destas lojas, pois um par de sapatos, uma mala, qualquer coisa, custa, facilmente, mais do que o nosso ordenado mínimo. 

Lembrámo-nos dos políticos, da política e, naturalmente, chegámos ao "faz de conta".

Caro leitor, lembra-se das brincadeiras do "faz de conta" de quando era criança?

Tomados pela nostalgia e com uma vontade imensa de irmos gastar o dinheiro que não temos, mesmo recorrendo aos cartões de crédito, vimos logo que só fazendo de conta lá chegaríamos. E, numa de fazer de conta, extrapolámos o faz de conta para este nosso Portugal.

Quer entrar na brincadeira, amigo leitor?

Faz de conta que somos todos iguais! Que, independentemente do partido, da conta bancária, dos amigos, da Família, ou do cargo que desempenhamos, somos todos tratados da mesma forma, seja onde for.

Faz de conta que nos estamos a aproximar dos outros países europeus! Que temos a mesma produtividade, as mesmas reformas, a mesma carga fiscal, o mesmo nível de rendimentos, o acesso tendencialmente gratuito à educação, mesmo no ensino superior.

Faz de conta que nos indignamos e revoltamos sempre que nos mentem, que nos limitam os direitos, que nos fazem promessas que nunca pensaram cumprir.

Faz de conta que temos um bom Serviço Nacional de Saúde! Que em qualquer ponto do país somos atendidos com rapidez e dignidade por profissionais motivados.

Faz de conta que queremos formar os nossos alunos para a cidadania e para o sentido crítico! Que não queremos jovens amorfos, apolíticos e indiferentes.

Faz de conta que a carga horária dos trabalhadores favorece a produtividade! Que quanto maior for a carga horária, maior será a produtividade.

Faz de conta que não estamos a desertificar o interior! Que criamos as condições ao nível dos serviços públicos, saúde, educação, justiça, transportes, de forma a que os portugueses do interior tenham as mesmas condições dos das grandes cidades.

Faz de conta que temos gente impoluta em todos os níveis da administração pública. Que o menor resquício de corrupção é, imediatamente, investigado e severamente punidos os prevaricadores.

Faz de conta que tratamos do ambiente e dos cidadãos. Que não existem casos flagrantes de empresas poluidoras, grandes ou pequenas, que são impedidas de laborar até que as condições de saúde pública sejam restabelecidas.

Faz de conta que todos os profissionais têm o respeito que qualquer cidadão merece. Que os médicos, os professores, os enfermeiros, os motoristas, os assistentes operacionais nas escolas, em suma, todas as classes profissionais têm condições de trabalho dignas e o reconhecimento da sociedade e, sobretudo, do poder político.

Faz de conta que a criminalidade ligeira em Portugal é ínfima. Que a taxa de incidentes tem vindo a diminuir.

Faz de conta que é normal que as empresas que ganham concursos tenham a sede em organismos municipais que, por coincidência, são do partido do governo. Que tudo está bem no poder central e municipal e que o mérito se sobrepõe sempre à lealdade.

PS. Se fôssemos todos crianças a brincar ao faz de conta, estaria tudo bem... mas, caro leitor, infelizmente, não é o caso... e, se não, faça o exercício inverso ao que fizemos nesta crónica, e, em vez de um faz de conta, faça o fact-checking, ou, brinque ao polígrafo. 

Divirta-se, caro leitor.

 

 

Libertem os Livros!

leiam, leiam, leiam

26
Out19

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Seguindo um ritual que nos é familiar - o de percorrer a web à procura de conteúdos interessantes - deparámo-nos com um vídeo cujo título, "Livros em perigo!", nos acordou os sentidos, no meio do imenso palheiro que é a Rede.

Em Rodolfo Castro, o protagonista deste vídeo, descobrimos "o pior dos contadores de histórias do mundo", como ele se diz. E revemo-nos no seu conteúdo, quando é relatado o exemplo de uma bibliotecária que, para levar os alunos a ler, "arriscou... pôs os livros em risco! Mas é só assim." 

Sim, prezado leitor, "é só assim" que promovemos a mudança, arriscando! 

E arriscamos quando:

- levamos os livros aos alunos, ou os alunos aos livros;

- levamos os livros para os sítios mais improváveis;

- alteramos, adequando a novas realidades, as regras que tanto preocupam os responsáveis pelo livros, nomeadamente, os registos infindáveis;

- acabamos com fichas e testes sobre os livros;

- não maçamos as crianças e os jovens com questionamentos inúteis e corriqueiros: "Gostaste do livro? Porquê?" ou "Qual é a personagem principal? Porquê?".

Estes "imperativos" remetem-nos para o que escrevemos na crónica "Socorro! As bibliotecas estão vazias!" que o amigo leitor, certamente, terá lido.

"... ficámos preocupados pela imagem que os jovens têm da biblioteca, que, nas suas palavras, não frequentam, por ser um espaço pouco dinâmico e cheio de regras."

E o que queremos nós, quando sabemos o poder da leitura na criação de leitores críticos e autónomos? Queremos que (se) leiam. Sim, só isso. Então, libertem os Livros! e libertem os leitores para:

- que façam as suas próprias leituras;

- que não gostem daquilo que lhes propomos que leiam;

- que gostem daquilo que não gostamos ou que não achamos aconselhável;

- que se descubram, e

- leiam, leiam, leiam!

Esta reflexão leva-nos a citarmo-nos, uma vez mais, o que nos torna verdadeiramente eruditos, caro leitor, agora, na crónica Ler... Ler... Ler... 

"...a leitura deve ser sempre um ato de prazer e... aquilo que é bom para uns, pode não o ser para outros. O importante é que as crianças e os jovens leiam, sobretudo ficção, pois é esta que desenvolve a capacidade de sonhar, de conhecer novos mundos, que dão azo ao uso da imaginação e alimentam a criatividade. Estas duas características são fundamentais para desenvolver o espírito crítico, a capacidade de comunicação e a empatia pelo outro."

PS. Voltando a Rodolfo Castro, quanto mais tentamos controlar - o que leem as crianças e os jovens, quando e onde - mais os perdemos para aquilo que realmente interessa: que se (re)descubram enquanto leitores.

Intensidades

Fónix! A vida quer-se intensa!

20
Out19

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Estamos sentados na esplanada a olhar para o horizonte. A chuva teima em não parar e somos invadidos por um sentimento forte que nos tolhe os sentidos. Que Intensidade!

Afinal, caro leitor, o que é a Intensidade?

A sabedoria popular dir-nos-ia que Intensidade é o oposto da rotina, da indiferença perante o que nos rodeia. É um abrir de olhos, é um querer saber, é um viver a vida. E nós, Fónix que somos, vivemos em estado permanente de Intensidade.

Se não vejamos.

Intensidade é...

...  quando olhamos para quem amamos e não encontramos palavras para dizer.

... quando nos cruzamos com pessoas que nos cativam com pequenos gestos.

... quando o apito de um comboio rasga o silêncio da noite.

... quando um pôr-do-sol, o voo de uma ave, o recorte de uma árvore espelhada nas águas de um rio nos encantam.

... quando um livro, um filme, um quadro, uma música nos inebriam os sentidos.

... ou, até, quando compramos um gadget que nos enche as medidas.

Isto sim, "intenso" leitor, é Viver!

Mas Viver não é apenas amar, cativar, ecoar, encantar, inebriar.

Intensidade é, também, ...

...quando sabemos que nos querem manipular e parece que mais ninguém se apercebe.

... quando, num debate político, sobressai a falta de caráter e o oportunismo dos intervenientes e os comentadores os classificam como políticos hábeis.

... quando a educação é palco de modas que refletem ideologias políticas e não as reais necessidades da sociedade e dos alunos.

... quando, perante tantas evidência de uma política que não serve as pessoas, caracterizada pela corrupção, apadrinhamento e degradação dos serviços públicos, se vive um silêncio ensurdecedor.

... quando o espaço público está dominado por pseudo especialistas que de tudo falam e nada adiantam.

... ou quando vemos uma sociedade resignada.

PS. Caro leitor, Intensidade é, também, quando concluimos um Fónix que nos enche as medidas.

 

 

Portugal: um silêncio ensurdecedor

Estará o povo português adormecido?

19
Out19

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"Le cri" de Munch, interpretado por Danièle Mengual

As manifestações populares, envolvendo milhares de pessoas que exercem o seu direito de cidadania, na Catalunha e em Londres, encabeçam os títulos da imprensa. Parece que a Europa está viva e responde na rua ao que os políticos, não conseguem, isto é, defender os interesses dos povos.

Caro leitor, os políticos não conseguem ou não querem?

Depois, olhamos para um cantinho, no extremo ocidental do continente, e, com o olhar tranquilo sobre o oceano Atlântico, naquele que é chamado o jardim à beira-mar plantado... está tudo parado, adormecido. 

Um observador distraído poderia pensar que por aqui está tudo bem. Mas basta folhear os jornais, navegar pelas redes sociais, ou ligar a TV para perceber que muitas razões existem para que os portugueses se mobilizem e exerçam o tão apregoado direito à cidadania, isto é, que lutem pelos seus direitos.

Ler os Media, por estes dias, em Portugal, deixa qualquer um estupefacto. E o esclarecido leitor não será certamente exceção.

Os casos sucedem-se, em todas as áreas, sem consequências para os prevaricadores, mostrando instituições tomadas por um modelo taylorista em que o que se pretende é a reprodução de comportamentos consentâneos com os interesses dos políticos e não com os do povo que deviam servir. Isto constata-se ao mais alto nível e, na cadeia hierárquica, parece que as pessoas são escolhidas a dedo para serem meros funcionários, reprodutores de um padrão que a todos incomoda, mas que todos aceitam, num silêncio ensurdecedor.

Caro leitor, o que será preciso para acabar de vez com interpretações de leis feitas a gosto, com programas suspendidos quando dá jeito, com altos funcionários que tratam o povo como ignorante, disfarçando ações com explicações como "não disse porque não me perguntaram...", "não sabia, não tive conhecimento", "segui os procedimentos...". A lista não tem fim, caro leitor... Assim fossem tão criativos a governar como a inventar desculpas...

A sociedade tem, objetivamente, cada vez mais problemas. As instituições degradam-se. Isto é inegável. Atente-se na saúde, na justiça, na educação e até nos transportes. 

Vejamos alguns títulos nos Media, por estes dias:

  • "Governantes em negócios de oliveiras milionárias";
  • "Caos nas escolas com falta de pessoal";
  • "Só há 5 hospitais com resultados positivos";
  • "Urgência pediátrica do hospital Garcia de Orta volta a encerrar no fim de semana";
  • "Falta de funcionários encerrou hoje 9 das 10 escolas...";
  • "Falta de professores deixa milhares de alunos sem aulas";
  • Falta de professores e alunos sem solução: o que está a acontecer nas escolas?";
  • "Ministro do Ambiente foi avisado sobre alegadas ilegalidades na concessão do lítio...";
  • "Há novas suspeitas no negócio do lítio";
  • "Ex-governante assume papel relevante no avanço da mina de lítio...";
  • "Portugal é dos países mais corruptos da União Europeia";
  • "Relatório internacional: Portugal volta a fazer má figura na prevenção da corrupção";
  • Atrasos nos tribunais devem levar à libertação de arguidos";
  • "Presidente do Supremo Tribunal Administrativo denuncia estrangulamento dos tribunais administrativos";
  • "Queixas da utilização de transportes públicos aumentam";
  • "Passe metropolitano gerou caos nos transportes...".

E ficamo-nos por estas, caro leitor.

Como se isto não bastasse, a carga fiscal é avassaladora e a classe média subsiste com dificuldade, para não falar do risco de pobreza, que atinge 17,3% dos residentes em Portugal.

PS. Quanto mais olhamos para os factos, que são tão evidentes, no que diz respeito à corrupção, ao apadrinhamento, à degradação dos serviços públicos, mais alarmados ficamos.... estará o povo português adormecido? Que tsunami  terá de atingir este cantinho da Europa para provocar uma reação? 

 

by influenciadores | work in progress

Queridos, mudei a biblioteca!

...e com isto ajudei a mudar a escola! E esta hein?!

13
Out19

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Pequena biblioteca à porta da escola St. Patrick´s em Nova Iorque

 

Invariavelmente, os jantares de fim de semana com amigos, muitos deles professores, levam-nos a conversar sobre a escola. Desta vez, fruto de um encontro internacional que está a decorrer no nosso país, o tema foi a leitura e a discussão acabou por centrar-se nas bibliotecas.

Se não vejamos:

1º As bibliotecas públicas estão vazias.

2.º As bibliotecas escolares padecem do mal do século: apesar dos recursos que disponibilizam, a sua utilização e correspondente impacto nas aprendizagens fica muito aquém daquilo que seria expectável.

3º Os alunos só vão à biblioteca quando participam em atividades que aí decorrem.

4º Os professores fogem da biblioteca e do professor bibliotecário porque pensam que vão ter mais trabalho e, sobretudo, porque não existe uma cultura de biblioteca.

5º As boas práticas, em que os alunos têm autonomia para "estar e fazer a biblioteca", mostram um aumento significativo do número de utilizadores e um impacto positivo nos hábitos de leitura.

6º As bibliotecas, um pouco por todo o mundo, estão a (re)configurar-se e (re)adaptar-se a este novo mundo.

Perante estes seis factos, concretos e tão evidentes, valerá a pena continuar a insitir? Já Einstein dizia: "Insanidade é fazer sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes".

Sabemos que as bibliotecas não têm dinheiro, têm poucos recursos humanos, mas tal como na nossa casa, quando uma coisa não está bem, mudamo-la de lugar... e porque não aplicar o conceito "Querido, mudei a casa..." às bibliotecas?

E como sabemos que os nossos irreverentes leitores gostam de pistas... aqui ficam sete:

1º Selecione livros que tenha repetidos, revistas, álbuns de banda desenhada, por exemplo, e coloque-os em "recipientes" o mais bizarros possível (caixotes de madeira, cadeiras, caixas de sapatos, paletes, caixas de cartão, pode ir mais longe e pedir num supermercado um carrinho de compras, ...).

2º Selecione um ou vários lugares estratégicos na sua escola, por onde passem muitos alunos e professores e instale aí a sua biblioteca móvel. Junte-lhe umas almofadas velhas, uns sofás, ou cadeiras e acrescente informação visual sugestiva. 

3º Não se aflija com a necessidade de registar empréstimos. Para ir habituando e, assim, educando os leitores, deixe um código QR para um formulário de empréstimo muito simples (nome do leitor, do autor e do livro... nada de cotas, caro leitor!) ou um pequeno dossier, com este registo em formato papel, onde o leitor poderá registar o livro que levou.

4º Se vir que os leitores não "povoam" o espaço, arranje voluntários a horas estratégicas para que se torne hábito ver ali pessoas a ler ou a conversar, em torno da leitura.

5º Não seja formal no prazo de entrega do livro, nem na forma como esta será feita. Permita que o leitor deixe o livro na biblioteca sem qualquer formalidade.

6º À medida que o projeto for evoluindo, crie momentos de verdadeira partilha de leituras: sugestões de livros, registos de leituras favoritas, criação de pequenos podcasts, ou comentários escritos...

Peça, por exemplo, à direção da sua escola, um quadro, ou até um espaço em vidro ou em acrílico, onde os leitores, de forma livre e autónoma, possam fazer registos espontâneos sobre a leitura.

7º Crie pequenos concursos: o leitor mais assíduo na biblioteca móvel; o leitor mais criativo nos registos escritos; o leitor mais opinativo (aquele que dá mais sugestões de livros, de locais para ampliar a biblioteca)...

São sete pistas de mudança que poderão catapultar a biblioteca para a escola, na verdadeira aceção da palavra. E com este "Queridos, mudei a biblioteca!" estaremos a caminhar para mudanças verdadeiramente significativas, na forma de ver, de aceder e de construir conhecimento. E, desta forma, daremos corpo àquela que é a missão da escola.

PS. Se o Velho do Restelo da vossa escola vos assustar com possíveis desaparecimentos e / ou danificação de livros, ou ainda com o excesso de autonomia / liberdade dada aos alunos para se expressarem livremente nos locais das bibliotecas móveis, lembrem-Lhe que a missão da escola é formar os alunos. Esta autonomia é um ato de cidadania e uma oportunidade para os alunos se assumirem enquanto cidadãos.

 

by influenciadores | work in progress

O papel da empatia na escola, na vida e até... na política

Uma questão fisiológica ou de valores?

05
Out19

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Hoje, invariavelmente, uma notícia domina os Media, decorrente de um incidente no último dia da campanha eleitoral para as legislativas. E é ver opiniões e tomadas de posição tão diferentes perante um acontecimento que, dificilmente, poderá ter várias leituras, pois foi gravado e amplamente divulgado.

Caro leitor, o que provocará nas pessoas sentimentos e reações tão díspares? Será por culpa da empatia ou da falta dela?

Este tema levou-nos até uma entrevista feita à investigadora portuguesa Diana Prata, na Life. Esta investigadora reflete sobre a importância que assume a empatia, e os processos neurológicos a si subjacentes, na relação com os outros, isto é, a capacidade de perceber a intenção do outro - empatia cognitiva - ou do que está a sentir - empatia emocional.

Amigo leitor, o que levará, efetivamente, cada um de nós, a tomar um dos partidos?

Esta questão da empatia é muito interessante e os contributos da ciência ajudam a encontrar resposta para alguns fenómenos como o bullying ou a perda de capacidade de cooperar com o outro.

O contributo destes estudos não pode ser descurado, pois a neurociência, aplicada à educação, abre um mundo de oportunidades que os educadores não podem desperdiçar, uma vez que permite justificar as práticas pedagógicas, tendo em conta a forma como o cérebro funciona, o que as torna mais eficientes.

Caro leitor, não podemos deixar de citar José Ramón Gamo, "o cérebro precisa de se mexer para aprender". Façamos a vontade ao cérebro. E como fazê-lo?

Mudando as metodologias de ensino, apostando na utilização do som, da imagem, e até da arte, em atividades que impliquem a participação e o trabalho colaborativo do aluno, pois, como nos dizem os investigadores, o cérebro é um órgão social que aprende com os outros. O que nos faz regressar à empatia e à emoção. Provoquemos os nossos alunos, com mensagens que os emocionem e que criem a oportunidade para desenvolver aprendizagens significativas.

Caro leitor, não acha que as escolas deveriam mudar de paradigma para inovar realmente, em vez de continuarem com pequenos paliativos  - aquisição de alguma tecnologia, redistribuição dos alunos de forma diferente, reorganização temporal do calendário escolar?

Para inovar, temos de ousar e fazer  alterações de fundo, nomeadamente no que respeita às metodologias que são usadas em sala de aula, pelo que não podemos passar ao lado dos contributos da neurociência.

PS. Mas voltemos ao incidente da campanha eleitoral, a verdade é que com empatia ou sem ela, se tornou num momento viral, delicioso de seguir nas redes sociais...

 

by influenciadores | work in progress

A manipulação dos Media

A Era da DesInformação: Relatório da Universidade de Oxford

28
Set19

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Em época de campanha eleitoral, em que casos e notícias estapafúrdias inundam os Media, deparámo-nos com uma notícia sobre um relatório da Universidade de Oxford que investigou a forma como a propaganda cibernética se converteu numa ferramenta de manipulação.

Caro leitor, mortos de curiosidade, fomos saber mais.

O relatório, intitulado "The Global Disinformation Order: 2019 Global Inventory of Organised Social Media Manipulation", analisa 70 países e conclui que, destes, 56, ou seja 80%, utilizam os Media, sobretudo o Facebook, para propaganda política, sendo que é esta a rede predileta para a manipulação dos cidadãos.

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Caro leitor, convenhamos... é óbvia a escolha do Facebook, pois é esta a plataforma social com mais utilizadores (2 410 milhões de utilizadores mensais, de acordo com dados do próprio Facebook). Em cada um dos 70 países, pelo menos um partido político ou uma agência governamental usa os Media para moldar a opinião pública.

Em 26 países, sobretudo nos regimes mais autoritários, a propaganda cibernética é utilizada como ferramenta de controlo de informação, com três objetivos principais:

1º Suprimir direitos humanos fundamentais;

2º Desacreditar os opositores políticos; 

3º Abafar opiniões divergentes.

Assustador, não é caro leitor? Agora imagine a utilização cada vez mais eficaz da Inteligência Artificial, da Realidade Virtual e da Internet das Coisas para moldar a sociedade e as políticas. Que grandes desafios se colocam à nossa democracia!

O estudo alerta, também, para as campanhas de desinformação que são cada vez mais usuais, sobretudo através do WhatsApp. Dados relativos a grandes players mundiais, como a China, apontam para uma utilização agressiva do Facebook, Twitter e Youtube para manipular a opinião pública e influenciar uma audiência cada vez mais global.

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Preocupa-nos que uma das conclusões deste estudo seja o aumento previsível da utilização dos Media para a comunicação política.

Mas, amigo leitor, se a comunicação política tem subjacente a manipulação das massas, não deve isto tirar-nos o sono?

Qual o impacto que terão os Media na sociedade? Serão um espaço público para a democracia, ou, pelo contrário, servirão apenas para amplificar conteúdos que mantêm os cidadãos viciados, mal informados e irritados?!

PS. Não podemos terminar sem citar uma das consequências apresentadas no relatório. Os Media, que já foram considerados um exemplo de liberdade e democracia, são hoje, cada vez mais, o rosto de uma sociedade desinformada, o que contribui para o aumento da violência e para uma desconfiança generalizada nos Media e nas próprias instituições democráticas.

Fónix! Palavras para quê?!

 

by influenciadores | work in progress

 

Fónix! Então já não é preciso ter um curso superior?

A era da desinformação e a importância do Conhecimento

23
Set19

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O dia hoje não começou bem!

A consulta habitual das redes sociais, ainda no lusco-fusco, em busca das últimas notícias, deixou-nos atónitos! 

Já não bastavam as fake news (já não se pode ouvir falar deste "bicho papão"), para agora aparecerem os fake books!

Caro leitor, que delícia para os ativistas militantes! Já devem estar a esfregar as mãos!

No início, nem percebemos bem o que poderia ser isto! Mas, uma leitura mais atenta do artigo, mostrou-nos que os livros falsos são inclusivamente vendidos pela maior empresa online de distribuição de livros, a Amazon.

Que mais fakes aparecerão para abalar o nosso mundo, amigo leitor? Vivíamos tão bem com as imitações de roupa e malas de marca que comprávamos nas feiras!

Ainda abalados pela notícia da Amazon, aparecem-nos outros grandes players, em grandes parangonas e em vários media: "Google, Apple e IBM já não pedem diploma universitário nas suas vagas de emprego".

O quê!!? O quê!!?

Relemos e voltamos a ler o título! Não havia dúvidas! E andamos nós a hipotecar-nos para pagar o "cursinho" superior aos nossos filhos! 

Com estas novidades a martelarem-nos o cérebro, decidimos desabafar nesta crónica, mas a discussão em torno dos verbos "ter" ou "tirar" fez-nos divergir. 

Afinal, caro leitor, os cursos têm-se ou tiram-se?

Vejamos... uns tiram o curso, outros compram o curso, mas ainda há aqueles a quem lhes tiram o curso que tinham. Tinham... mas nunca tiraram...

Que confusão, gentil leitor...

Afinal vivemos no mundo em que tudo pode ser fake.

PS. A educação é fundamental, agora mais do que nunca, para fazer face a esta era da desinformação em que a vantagem social, cultural e até financeira está no conhecimento. Cabe à escola educar os alunos para os Media, para que possam, de forma crítica, validar fontes de informação. É esta capacidade que faz e fará cada vez mais a diferença no mundo do trabalho e na sociedade.

 

Socorro! As bibliotecas estão vazias!

Os rituais de uma biblioteca escolar descritos pelos jovens

21
Set19

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A crónica de hoje nasce de uma conversa ouvida numa paragem de autocarro. Está impossível andar de carro em Lisboa, os políticos apropriaram-se do espaço público e o cidadão está sempre a pagar... por isso passámos a usar os transportes públicos. Mas a esperança é a última a morrer e agora com a promessa dos políticos de baixa de impostos e aumento de ordenados, vamos, finalmente, poder voltar ao conforto do carro.

Mas, caro leitor, não nos dispersemos... 

Na paragem, duas senhoras, que percebemos que eram professoras, falavam sobre as estratégias que deviam implementar para levar os alunos à biblioteca. E falavam de coisas estranhas como referenciais, modelos, guiões de pesquisa, big... qualquer coisa (não nos lembramos do tamanho do big), catalogação, indexação... ficámos exaustos... parecia a bula de um medicamento...

Mas ficámos, sobretudo, pasmados!...

O leitor sabia que ainda há bibliotecas escolares?

Questionámo-nos pelo facto dos nossos filhos nunca nos terem falado de tal tesouro no século XXI! Chegados a casa, foi com satisfação que encontrámos os nossos filhos a trabalhar com um grupo de colegas. E confrontámo-los, de imediato, com a nossa ignorância, pois nunca nos tinham falado de tal coisa. E, para maior espanto, ficámos a saber que para além da biblioteca existe um professor bibliotecário!

Extraordinário, caro leitor! As coisas que os nossos filhos nos escondem!

Mas ficámos preocupados pela imagem que os jovens têm da biblioteca, que, nas suas palavras, não frequentam, por ser um espaço pouco dinâmico e cheio de regras. Dizem, ainda, que para encontrar o que precisam basta-lhes ir à internet, porque é mais rápido e, sobretudo, mais eficaz. E acrescentaram ainda, que assim evitam a seca de... veja bem caro leitor!

1º Preencher uma folha com os seus dados e com aquilo que vão fazer na biblioteca;

2º  Procurar, seguindo as orientações da diligentíssima funcionária, sob o olhar atento da professora bibliotecária, os termos de pesquisa no catálogo;

3º Seguir a funcionária até às estantes, ouvindo a explicação sobre a organização de um tal fundo documental e aceitar os livros que lhes quer dar e que nunca irão ler;

4º Esperar, com ar interessado, e os livros na mão que lhes seja concedida autorização para fazerem a tão desejada pesquisa no computador... 

Afinal, aquilo que podiam fazer em cinco minutos ocupou-lhes o intervalo e lá se foi o lanche!

Caro leitor, convenhamos, não admira que as bibliotecas estejam vazias... tal como diziam as senhoras professoras na paragem do autocarro.

PS. Caros educadores, as escolas e as bibliotecas não podem alhear-se das reais necessidades dos alunos e das maravilhas que a tecnologia proporciona, nomeadamente a de terem a maior biblioteca do mundo no seu bolso. Esta realidade altera por completo a missão das bibliotecas e não há planos de ação que possam ser bem sucedidos se voltarem as costas à inovação e à tecnologia, pois, na verdade, estão a virar as costas aos alunos.