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Fónix Lab

Laboratório para exprimir (opiniões) admiração, indignação ou impaciência, em torno de temas atuais.

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Laboratório para exprimir (opiniões) admiração, indignação ou impaciência, em torno de temas atuais.

Como (não) se lê na Rede

Vai ler esta crónica?

27
Nov19

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Saímos de manhã cedo, na ânsia de encontrar objetos passíveis de serem fotografados a 3D - a nossa última trend - e na habitual passagem pelas redes, confrontámo-nos com algo que nos tem levado a refletir, isto é, a forma como não se lê na rede.

Se não vejamos, caro leitor... quando partilha ou gosta de um post, em qualquer rede, dá-se ao trabalho de o ler?

Ler é o ato de interpretar o que está escrito, de dar sentidos.

Será que é isso que fazemos na rede? Ou limitamo-nos a colocar gostos em função da pessoa ou instituição que fez a partilha? Ou, ainda, porque uma determinada imagem é apelativa, independentemente do conteúdo que a enforma? Serão as emoções que nos movem?

As redes são potenciais e poderosíssimas fontes de disseminação de informação, mas esta só será útil se a lermos, isto é, se lhe atribuirmos sentidos.

Caro leitor, já pensou nisto? Num mundo que nos foge por entre os dedos, ao invés de nos deleitarmos com aquilo que está escrito ou dito, limitamo-nos a pôr um gosto a determinada pessoa ou a partilhar conteúdos, apenas porque projetam a imagem que queremos que o outro tenha de nós.

Isto, prezado leitor, para não falar do inverso, que daria para uma outra crónica fónix!

Falamos daqueles que veem e leem com atenção posts de qualidade, mas que não partilham, nem gostam, porque acham que estariam a dar protagonismo a outros (pessoas ou instituições) e quebram assim o ciclo da rede, aquele que defendemos, que é partilhar, viver em rede, tornar acessíveis recursos, notícias, reflexões, crónicas verdadeiramente interessantes. Tudo o que nos acrescenta!

De facto, a rede é o espelho de cada um e de todos.

Uns (poucos) vivem plenamente o século em que a partilha e as redes são uma mais valia.

Outros (muitos) passam e estão na rede, sem a viver, isto é, sem a ver. E, para ver, caro leitor, temos de observar, encontrar, escolher, percorrer, provar, conhecer. Em suma, viver.

PS. Os dados estatísticos que as redes nos fornecem são extraordinários, na análise sociológica que nos permitem fazer. Veja-se a título de exemplo: a um post, que linka uma apresentação  que alcança 1200 partilhas e gostos, em apenas 3 dias, correspondem somente 800 visitas ou visualizações efetivas, o que significa que um terço das pessoas partilhou algo que não leu.

Faz pensar, não faz, caro leitor?

 

Agarrados ao ecrã

Desliga-te, Fónix!

15
Ago19

agarrados.jpg

No areal, entre banhos na água fria e uma caminhada prolongada, a conversa levou-nos para um tema cada vez mais recorrente no mundo atual.

A dependência dos ecrãs.

Basta levantar o olhar para verificarmos que a maioria dos veraneantes vive agarrado ao ecrã. Ora uns, ora outros, todos.

Lembrámo-nos de um casal amigo e do desabafo da Maria, falando do companheiro, "Este homem, sempre que me viro na cama, está agarrado ao ecrã." e acrescenta "Eu não me atrapalho e agarro-me ao meu". E assim vivem, juntos, mas separados.

O que pensa disto, amigo leitor?

Acreditamos que a nossa sociedade está a intensificar este problema, com consequências, que ainda não conseguimos prever, nas relações humanas.

É recorrente encontrar nos restaurantes, cafés e, até nos bares, pela noite dentro, crianças agarradas ao ecrã, enquanto os pais comem ou bebem um copo, sem largar de vista o pequeno aparelho.

Este pensamento leva-nos de volta ao casal amigo que, ao invés de apreciar os momentos que a vida lhes proporciona, os gravam para partilhar ou transmitir em direto nas redes... mais preocupados em mostar (-se) do que em viver.

É aqui que estamos e assim que somos, gentil amigo.

Somos uma ilusão para o outro, feita de imagens postadas de sítios onde nunca fomos e de gostos de gente que não conhecemos.

Somos uma sociedade agarrada ao ecrã.

E se o Humano é aquilo que sente, o que vê, o que vive, então, caro leitor, será que somos isto? Cada vez mais uma ilusão?

E os nossos jovens, que crescem com este modelo, no que se tornarão?

Fónix! Vivemos numa sociedade do 8 ou do 80! Este paradoxo espanta-nos, pois temos tudo ao alcance de um clique, mas tudo perdemos, enredados na doce ilusão que nos move. 

O pôr do sol atrai a nossa atenção. Lindo! 

Fónix! Pegamos no telemóvel, levantamo-nos, acercamo-nos da ria e pimba! Já está! Postamo-la de imediato e... venham os gostos e os comentários!... Que maravilha!

PS. Fónix! Estamos agarrados!

 

 

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