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Fónix Lab

Laboratório para exprimir (opiniões) admiração, indignação ou impaciência, em torno de temas atuais.

Fónix Lab

Laboratório para exprimir (opiniões) admiração, indignação ou impaciência, em torno de temas atuais.

Queridos, mudei a biblioteca!

...e com isto ajudei a mudar a escola! E esta hein?!

13
Out19

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Pequena biblioteca à porta da escola St. Patrick´s em Nova Iorque

 

Invariavelmente, os jantares de fim de semana com amigos, muitos deles professores, levam-nos a conversar sobre a escola. Desta vez, fruto de um encontro internacional que está a decorrer no nosso país, o tema foi a leitura e a discussão acabou por centrar-se nas bibliotecas.

Se não vejamos:

1º As bibliotecas públicas estão vazias.

2.º As bibliotecas escolares padecem do mal do século: apesar dos recursos que disponibilizam, a sua utilização e correspondente impacto nas aprendizagens fica muito aquém daquilo que seria expectável.

3º Os alunos só vão à biblioteca quando participam em atividades que aí decorrem.

4º Os professores fogem da biblioteca e do professor bibliotecário porque pensam que vão ter mais trabalho e, sobretudo, porque não existe uma cultura de biblioteca.

5º As boas práticas, em que os alunos têm autonomia para "estar e fazer a biblioteca", mostram um aumento significativo do número de utilizadores e um impacto positivo nos hábitos de leitura.

6º As bibliotecas, um pouco por todo o mundo, estão a (re)configurar-se e (re)adaptar-se a este novo mundo.

Perante estes seis factos, concretos e tão evidentes, valerá a pena continuar a insitir? Já Einstein dizia: "Insanidade é fazer sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes".

Sabemos que as bibliotecas não têm dinheiro, têm poucos recursos humanos, mas tal como na nossa casa, quando uma coisa não está bem, mudamo-la de lugar... e porque não aplicar o conceito "Querido, mudei a casa..." às bibliotecas?

E como sabemos que os nossos irreverentes leitores gostam de pistas... aqui ficam sete:

1º Selecione livros que tenha repetidos, revistas, álbuns de banda desenhada, por exemplo, e coloque-os em "recipientes" o mais bizarros possível (caixotes de madeira, cadeiras, caixas de sapatos, paletes, caixas de cartão, pode ir mais longe e pedir num supermercado um carrinho de compras, ...).

2º Selecione um ou vários lugares estratégicos na sua escola, por onde passem muitos alunos e professores e instale aí a sua biblioteca móvel. Junte-lhe umas almofadas velhas, uns sofás, ou cadeiras e acrescente informação visual sugestiva. 

3º Não se aflija com a necessidade de registar empréstimos. Para ir habituando e, assim, educando os leitores, deixe um código QR para um formulário de empréstimo muito simples (nome do leitor, do autor e do livro... nada de cotas, caro leitor!) ou um pequeno dossier, com este registo em formato papel, onde o leitor poderá registar o livro que levou.

4º Se vir que os leitores não "povoam" o espaço, arranje voluntários a horas estratégicas para que se torne hábito ver ali pessoas a ler ou a conversar, em torno da leitura.

5º Não seja formal no prazo de entrega do livro, nem na forma como esta será feita. Permita que o leitor deixe o livro na biblioteca sem qualquer formalidade.

6º À medida que o projeto for evoluindo, crie momentos de verdadeira partilha de leituras: sugestões de livros, registos de leituras favoritas, criação de pequenos podcasts, ou comentários escritos...

Peça, por exemplo, à direção da sua escola, um quadro, ou até um espaço em vidro ou em acrílico, onde os leitores, de forma livre e autónoma, possam fazer registos espontâneos sobre a leitura.

7º Crie pequenos concursos: o leitor mais assíduo na biblioteca móvel; o leitor mais criativo nos registos escritos; o leitor mais opinativo (aquele que dá mais sugestões de livros, de locais para ampliar a biblioteca)...

São sete pistas de mudança que poderão catapultar a biblioteca para a escola, na verdadeira aceção da palavra. E com este "Queridos, mudei a biblioteca!" estaremos a caminhar para mudanças verdadeiramente significativas, na forma de ver, de aceder e de construir conhecimento. E, desta forma, daremos corpo àquela que é a missão da escola.

PS. Se o Velho do Restelo da vossa escola vos assustar com possíveis desaparecimentos e / ou danificação de livros, ou ainda com o excesso de autonomia / liberdade dada aos alunos para se expressarem livremente nos locais das bibliotecas móveis, lembrem-Lhe que a missão da escola é formar os alunos. Esta autonomia é um ato de cidadania e uma oportunidade para os alunos se assumirem enquanto cidadãos.

 

by influenciadores | work in progress

Socorro! As bibliotecas estão vazias!

Os rituais de uma biblioteca escolar descritos pelos jovens

21
Set19

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A crónica de hoje nasce de uma conversa ouvida numa paragem de autocarro. Está impossível andar de carro em Lisboa, os políticos apropriaram-se do espaço público e o cidadão está sempre a pagar... por isso passámos a usar os transportes públicos. Mas a esperança é a última a morrer e agora com a promessa dos políticos de baixa de impostos e aumento de ordenados, vamos, finalmente, poder voltar ao conforto do carro.

Mas, caro leitor, não nos dispersemos... 

Na paragem, duas senhoras, que percebemos que eram professoras, falavam sobre as estratégias que deviam implementar para levar os alunos à biblioteca. E falavam de coisas estranhas como referenciais, modelos, guiões de pesquisa, big... qualquer coisa (não nos lembramos do tamanho do big), catalogação, indexação... ficámos exaustos... parecia a bula de um medicamento...

Mas ficámos, sobretudo, pasmados!...

O leitor sabia que ainda há bibliotecas escolares?

Questionámo-nos pelo facto dos nossos filhos nunca nos terem falado de tal tesouro no século XXI! Chegados a casa, foi com satisfação que encontrámos os nossos filhos a trabalhar com um grupo de colegas. E confrontámo-los, de imediato, com a nossa ignorância, pois nunca nos tinham falado de tal coisa. E, para maior espanto, ficámos a saber que para além da biblioteca existe um professor bibliotecário!

Extraordinário, caro leitor! As coisas que os nossos filhos nos escondem!

Mas ficámos preocupados pela imagem que os jovens têm da biblioteca, que, nas suas palavras, não frequentam, por ser um espaço pouco dinâmico e cheio de regras. Dizem, ainda, que para encontrar o que precisam basta-lhes ir à internet, porque é mais rápido e, sobretudo, mais eficaz. E acrescentaram ainda, que assim evitam a seca de... veja bem caro leitor!

1º Preencher uma folha com os seus dados e com aquilo que vão fazer na biblioteca;

2º  Procurar, seguindo as orientações da diligentíssima funcionária, sob o olhar atento da professora bibliotecária, os termos de pesquisa no catálogo;

3º Seguir a funcionária até às estantes, ouvindo a explicação sobre a organização de um tal fundo documental e aceitar os livros que lhes quer dar e que nunca irão ler;

4º Esperar, com ar interessado, e os livros na mão que lhes seja concedida autorização para fazerem a tão desejada pesquisa no computador... 

Afinal, aquilo que podiam fazer em cinco minutos ocupou-lhes o intervalo e lá se foi o lanche!

Caro leitor, convenhamos, não admira que as bibliotecas estejam vazias... tal como diziam as senhoras professoras na paragem do autocarro.

PS. Caros educadores, as escolas e as bibliotecas não podem alhear-se das reais necessidades dos alunos e das maravilhas que a tecnologia proporciona, nomeadamente a de terem a maior biblioteca do mundo no seu bolso. Esta realidade altera por completo a missão das bibliotecas e não há planos de ação que possam ser bem sucedidos se voltarem as costas à inovação e à tecnologia, pois, na verdade, estão a virar as costas aos alunos.