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Fónix Lab

Laboratório para exprimir (opiniões) admiração, indignação ou impaciência, em torno de temas atuais.

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Socorro! As bibliotecas estão vazias!

Os rituais de uma biblioteca escolar descritos pelos jovens

21
Set19

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A crónica de hoje nasce de uma conversa ouvida numa paragem de autocarro. Está impossível andar de carro em Lisboa, os políticos apropriaram-se do espaço público e o cidadão está sempre a pagar... por isso passámos a usar os transportes públicos. Mas a esperança é a última a morrer e agora com a promessa dos políticos de baixa de impostos e aumento de ordenados, vamos, finalmente, poder voltar ao conforto do carro.

Mas, caro leitor, não nos dispersemos... 

Na paragem, duas senhoras, que percebemos que eram professoras, falavam sobre as estratégias que deviam implementar para levar os alunos à biblioteca. E falavam de coisas estranhas como referenciais, modelos, guiões de pesquisa, big... qualquer coisa (não nos lembramos do tamanho do big), catalogação, indexação... ficámos exaustos... parecia a bula de um medicamento...

Mas ficámos, sobretudo, pasmados!...

O leitor sabia que ainda há bibliotecas escolares?

Questionámo-nos pelo facto dos nossos filhos nunca nos terem falado de tal tesouro no século XXI! Chegados a casa, foi com satisfação que encontrámos os nossos filhos a trabalhar com um grupo de colegas. E confrontámo-los, de imediato, com a nossa ignorância, pois nunca nos tinham falado de tal coisa. E, para maior espanto, ficámos a saber que para além da biblioteca existe um professor bibliotecário!

Extraordinário, caro leitor! As coisas que os nossos filhos nos escondem!

Mas ficámos preocupados pela imagem que os jovens têm da biblioteca, que, nas suas palavras, não frequentam, por ser um espaço pouco dinâmico e cheio de regras. Dizem, ainda, que para encontrar o que precisam basta-lhes ir à internet, porque é mais rápido e, sobretudo, mais eficaz. E acrescentaram ainda, que assim evitam a seca de... veja bem caro leitor!

1º Preencher uma folha com os seus dados e com aquilo que vão fazer na biblioteca;

2º  Procurar, seguindo as orientações da diligentíssima funcionária, sob o olhar atento da professora bibliotecária, os termos de pesquisa no catálogo;

3º Seguir a funcionária até às estantes, ouvindo a explicação sobre a organização de um tal fundo documental e aceitar os livros que lhes quer dar e que nunca irão ler;

4º Esperar, com ar interessado, e os livros na mão que lhes seja concedida autorização para fazerem a tão desejada pesquisa no computador... 

Afinal, aquilo que podiam fazer em cinco minutos ocupou-lhes o intervalo e lá se foi o lanche!

Caro leitor, convenhamos, não admira que as bibliotecas estejam vazias... tal como diziam as senhoras professoras na paragem do autocarro.

PS. Caros educadores, as escolas e as bibliotecas não podem alhear-se das reais necessidades dos alunos e das maravilhas que a tecnologia proporciona, nomeadamente a de terem a maior biblioteca do mundo no seu bolso. Esta realidade altera por completo a missão das bibliotecas e não há planos de ação que possam ser bem sucedidos se voltarem as costas à inovação e à tecnologia, pois, na verdade, estão a virar as costas aos alunos.