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Fónix Lab

Laboratório para exprimir (opiniões) admiração, indignação ou impaciência, em torno de temas atuais.

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Professores

O nosso filho quer ser professor. Socorro!

25
Ago19

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Esta tarde, enquanto assistíamos ao primeiro clássico da liga, entre o Benfica e o Porto, em casa de uns amigos, fomos surpreendidos pelo desabafo sofrido do casal anfitrião, que nos deu conta de um acontecimento verdadeiramente Fónix, no seio da sua família.

Não é que o filho mais novo, Vicente, de 9 anos, lhes disse, eufórico, que queria ser professor?!

A tragédia abateu-se naquela fatídica noite, sobre aquela família.

Professor? Já pensou, caro leitor? 

Ainda se fosse político ou banqueiro, isso sim, são profissões de futuro, sem risco e com reforma garantida!

Vejamos os riscos que o pequeno Vicente corre, se seguir o seu sonho, num país como Portugal:

1.º A instabilidade profissional acompanhá-lo-á anos a fio.

2.º Mal pago, sem carreira e sem progressão.

3.º Os currículos, sempre em alteração, implicam a necessidade contínua de se atualizar em função de opções políticas e não pedagógicas.

4.º A carga burocrática e administrativa vai esmagá-lo, matando-lhe, pouco a pouco, o sonho.

5.º O contacto com pessoas que acham que sabem mais do que ele, verdadeiros especialistas em educação, que querem mandar na sala de aula. Os pais.

6.º Mal representados pelos sindicatos, mais dispostos a defenderem os seus próprios interesses e os da central a que pertencem, do que a lutarem pelos direitos da classe, que tão mal representam, condenando-a a derrotas sucessivas.

7.º A vergonha de assumir que é professor, símbolo de um profissional mal pago e mal visto socialmente, arrasado, constantemente, pelos políticos de todos os quadrantes.

Lembra-se de mais alguma razão, caro leitor? Não deve ser difícil.

Esquecemo-nos, contudo, que, enquanto sociedade, é na Escola que tudo começa, pelo que o professor deve ser visto como modelo, ser respeitado.

Acreditamos que é fundamental evoluir neste sentido e restaurar o prestígio desta classe para que possamos ter uma verdadeira democracia, seguindo o exemplo de outros países.

Poderíamos enumerá-los, caro leitor, mas estamos certos que os conhecerá.

Os estudos mostram-nos que, quanto mais prestigiada é a educação, melhores são os resultados económicos e sociais, com repercussões na qualidade de vida dos Estados.

Os políticos sabem-no, mas preferem ignorar esta realidade, pois têm outras prioridades, mais imediatas, e, por isso, afastam-se do bem comum. 

Lembra-se de termos refletido sobre este assunto na crónica dedicada aos Políticos?

Felizmente, os professores são uma classe resiliente, que, apesar de tão mal tratada, tem sabido manter as escolas a funcionar, nalguns casos, com malabarismos, só possíveis a quem se entrega de corpo e alma à sua profissão. De facto, o bom professor sabe que tem de agir autonomamente, relevando a política errática para o lugar que lhe cabe.

PS. Aconselhámos os nossos amigos, dizendo-lhes que, ao ritmo a que a classe docente envelhece, sem a necessária renovação, perto está o tempo em que os políticos terão que "dar o dito por não dito", métier em que são peritos, e valorizá-la.

Sossegaram...

 

 

by influenciadores | work in progress