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Fónix Lab

Laboratório para exprimir (opiniões) admiração, indignação ou impaciência, em torno de temas atuais.

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Laboratório para exprimir (opiniões) admiração, indignação ou impaciência, em torno de temas atuais.

Libertem os Livros!

leiam, leiam, leiam

26
Out19

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Seguindo um ritual que nos é familiar - o de percorrer a web à procura de conteúdos interessantes - deparámo-nos com um vídeo cujo título, "Livros em perigo!", nos acordou os sentidos, no meio do imenso palheiro que é a Rede.

Em Rodolfo Castro, o protagonista deste vídeo, descobrimos "o pior dos contadores de histórias do mundo", como ele se diz. E revemo-nos no seu conteúdo, quando é relatado o exemplo de uma bibliotecária que, para levar os alunos a ler, "arriscou... pôs os livros em risco! Mas é só assim." 

Sim, prezado leitor, "é só assim" que promovemos a mudança, arriscando! 

E arriscamos quando:

- levamos os livros aos alunos, ou os alunos aos livros;

- levamos os livros para os sítios mais improváveis;

- alteramos, adequando a novas realidades, as regras que tanto preocupam os responsáveis pelo livros, nomeadamente, os registos infindáveis;

- acabamos com fichas e testes sobre os livros;

- não maçamos as crianças e os jovens com questionamentos inúteis e corriqueiros: "Gostaste do livro? Porquê?" ou "Qual é a personagem principal? Porquê?".

Estes "imperativos" remetem-nos para o que escrevemos na crónica "Socorro! As bibliotecas estão vazias!" que o amigo leitor, certamente, terá lido.

"... ficámos preocupados pela imagem que os jovens têm da biblioteca, que, nas suas palavras, não frequentam, por ser um espaço pouco dinâmico e cheio de regras."

E o que queremos nós, quando sabemos o poder da leitura na criação de leitores críticos e autónomos? Queremos que (se) leiam. Sim, só isso. Então, libertem os Livros! e libertem os leitores para:

- que façam as suas próprias leituras;

- que não gostem daquilo que lhes propomos que leiam;

- que gostem daquilo que não gostamos ou que não achamos aconselhável;

- que se descubram, e

- leiam, leiam, leiam!

Esta reflexão leva-nos a citarmo-nos, uma vez mais, o que nos torna verdadeiramente eruditos, caro leitor, agora, na crónica Ler... Ler... Ler... 

"...a leitura deve ser sempre um ato de prazer e... aquilo que é bom para uns, pode não o ser para outros. O importante é que as crianças e os jovens leiam, sobretudo ficção, pois é esta que desenvolve a capacidade de sonhar, de conhecer novos mundos, que dão azo ao uso da imaginação e alimentam a criatividade. Estas duas características são fundamentais para desenvolver o espírito crítico, a capacidade de comunicação e a empatia pelo outro."

PS. Voltando a Rodolfo Castro, quanto mais tentamos controlar - o que leem as crianças e os jovens, quando e onde - mais os perdemos para aquilo que realmente interessa: que se (re)descubram enquanto leitores.