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Fónix Lab

Laboratório para exprimir (opiniões) admiração, indignação ou impaciência, em torno de temas atuais.

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Ler, ler, ler...

Já Albert Einstein dizia: para que as crianças sejam inteligentes, leiam-lhes contos de fadas

31
Ago19

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A mania dos podcasts, que teimamos em ouvir quando viajamos de carro, levou-nos até Neil Gaiman (NG) e este até esta citação de Albert Einstein: "para que as crianças sejam inteligentes, leiam-lhes contos de fadas".

Neste podcast, NG fala do futuro, que não vê sem livros, leitura, bibliotecas, bibliotecários e sonhos, muitos sonhos.

Os professores, os pais, os editores teimam em dizer que as crianças não gostam de ler, que leem cada vez menos. De facto, se olharmos para a leitura como ato isolado entre o leitor e o livro, é verdade. Contudo, se tivermos em conta a forma como se lê hoje, em suportes variados, de forma isolada ou em rede, chegamos à conclusão que se lê mais e em qualquer idade. 

Caro leitor, o que mudou foi a forma como lemos, onde lemos e o que lemos. Concorda?

Neste contexto, não podemos pôr de lado os últimos estudos que mostram, de forma clara, que o ato de ouvir ler ativa os mesmos processos neurológicos que o ato de ler.

Lembra-se o caro leitor o que dizemos na crónica "Ler ou ouvir? Como aprendemos melhor?"

A acessibilidade ao objeto de leitura tem de ser, por isso, o mais fácil e transparente possível. Aliás, se olharmos para o gráfico abaixo, retirado do estudo da Gfk (2016), constatamos que os portugueses, de todos os níveis etários, excepto na faixa de mais de 60 anos, apontam para a importância que tem a facilidade de acesso à leitura, o que abre a porta para novas formas de trabalhar a leitura, nas escolas, nas bibliotecas, em casa.

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Fonte: Comunidade, Cultura e Arte, 16 de março de 2018. 

Defendemos, como NG, que a leitura deve ser sempre um ato de prazer e que aquilo que é bom para uns, pode não o ser para outros. O importante é que as crianças e os jovens leiam, sobretudo ficção, pois é esta que desenvolve a capacidade de sonhar, de conhecer novos mundos, que dão azo ao uso da imaginação e alimentam a criatividade. Estas duas características são fundamentais para desenvolver o espírito crítico, a capacidade de comunicação e a empatia pelo outro.

Amigo leitor, se as nossas crianças conhecerem novos mundos, vão querer sempre melhorar o nosso. Por isso, deixem-nas ler... o que quiserem, como e onde quiserem.

Não nos esqueçamos que o mundo está em perpétua mudança e a mudança, como referia Camões, também. E aquilo que hoje é aceite como regra, rapidamente poderá deixar de o ser. Relembre-se o exemplo de Enid Blyton e outros autores, hoje considerados obrigatórios, e que, na sua época, eram vistos como menores. Ou que a leitura de banda desenhada já foi, em tempos, considerada uma forma de iliteracia e o policial um género pouco valorizado e até desprezado.

PS. Caro leitor, já pensou que, ao invés de estarmos a fomentar a leitura, podemos estar a destruí-la com listas de livros obrigatórios e recomendados? Leve o seu filho à biblioteca e deixe-o completamente livre para olhar, folhear, escolher.

Caros bibliotecários, não façam só aquisições com base em prescrições ou modas. Alarguem os vossos horizontes para assim alargar os do vosso público.

 

by influenciadores | work in progress