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Fónix Lab

Laboratório para exprimir (opiniões) admiração, indignação ou impaciência, em torno de temas atuais.

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Falar para não estar calado

Os portugueses e os chavões

01
Set19

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Questionamo-nos, frequentemente, sobre a necessidade absurda que as pessoas têm de estarem sempre a falar, mesmo que seja para dizer coisa nenhuma. E aborrece-nos, sobretudo, quando utlizam os conhecidos chavões, frases feitas... pior, ainda, quando os utilizam para "rematar" uma conversa que tinha tudo para ser interessante.

Se não vejamos, caro leitor...

Será que esta nossa típica expressão "se não" já se está a transformar, ela própria, num chavão?

Vejamos alguns exemplos.

No restaurante, lá vem o funcionário oferecer uma entrada, que nos vai custar "os olhos da cara" (chavão!), para "abrir com chave de ouro" (chavão!). Para não falar da sobremesa e terminar com a mesma chave.

Na rua, encontramos um conhecido, que nos responde, invariavelmente, que "vai indo" (chavão!), independentemente do seu estado de espírito.

Em viagem, com o cônjuge, quando perguntamos o quer quer fazer, diz sempre "o que tu quiseres" (chavão!), para depois se iniciar uma discussão sobre o que escolhemos que não correspondeu às suas expetativas. Aqui é caso para utilizar o chavão "eu bem te disse!"

Na loja, quando experimentamos uma peça de roupa, que até uma criança vê que nos fica mal, e o empregado, com ar de entendido, nos diz "cai-lhe que nem uma luva" (chavão!).

Em contexto laboral, quando se tenta implementar algo de novo, como por exemplo utilizar uma nova ferramenta, que funciona exatamente da mesma forma que a anterior, para não dizer que é até mais fácil de usar, e nos olham com receio, dizendo, com algum desespero, "precisamos de formação" (chavão!). 

No pub, enquanto se assiste a um jogo de futebol e se bebe uma cerveja, e, no fim do jogo, um cliente remata a conversa com um "aconteceu futebol!" (chavão!) e outro, cujo clube perdeu, responde "voltamos à estaca zero" (chavão!).

Caro leitor, é caso para usar o chavão "o silêncio é de ouro".

Vivemos numa sociedade em que as pessoas estão a perder a capacidade de ser e estar... de sermos nós próprios, aceitando o que nos caracteriza e mostrando empatia pelo outro... de estarmos sem preconceitos, sem receio de sermos mal vistos ou interpretados. Mesmo que isso implique estar em silêncio.

PS. Converse, sem filtros sociais. Assuma as suas convicções e aceite que pensem de forma diferente. É nesta diferença que se criam novos patamares de entendimento. E, por favor, evite chavões.

 

by influenciadores | work in progress