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Fónix Lab

Laboratório para exprimir (opiniões) admiração, indignação ou impaciência, em torno de temas atuais.

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A emergência da leitura

Aprender a ler, para ler o Mundo (PISA, 2019)

15
Dez19

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Clique na imagem para ver o infográfico

Na semana em que saíram os resultados do PISA, ficámos confusos perante a discrepância das notícias. Como é possível ler e inferir conclusões diferentes de um mesmo relatório? Afinal a escola que temos construído permite aos jovens desenvolver as competências que as políticas educativas por todo o Mundo consideram cruciais?

Parece-nos claro que, de uma forma geral, os media se preocuparam em polarizar o lugar que cada país ocupa no ranking, sem refletirem sobre o impacto que estes resultados deveriam ter nas políticas educativas europeias e mundiais.

Caro leitor, sabemos que a economia, assente no capital humano, se preocupa com estes rankings, mas será que os resultados obtidos são o retrato fiel do que sabem os alunos de cada país?

Alguns especialistas, um pouco por todo o Mundo, chamaram a atenção para a heterogeneidade dos países participantes e para a tremenda diferença que existe entre os diversos sistemas educativos. Não esqueçamos, ainda, a manipulação de dados, quer na fonte, com a seleção criteriosa das escolas e dos alunos que responderam aos questionários, quer centralmente, veja-se o caso de Espanha.

Os sociólogos que se debruçaram sobre estes resultados refletem, sobretudo, acerca das desigualdades que caracterizam os sistemas educativos, sendo clara a relação que existe entre os bons resultados no PISA e a valorização, pela sociedade, da escola, do ensino e dos professores. Não é tanto uma questão de melhores condições de trabalho e remuneratórias, mas sim de cultura.

Alguns analistas, como Maxime Tandonnet, alertam, também, para o perigo de se terem passado décadas e décadas a nivelar a qualidade do ensino por baixo e chamam a atenção para os perigos daí decorrentes.

De facto, é extraordinariamente preocupante que um em cada 10 alunos não distinga factos de opiniões, apesar de esta ser, como nos diz, Francisco Sena Santos, "a geração mais informada da história":

PS. Ler o Mundo implica parar, ver, ouvir, observar para agir em conformidade e só o conseguimos fazer se soubermos LER. Por isso, caros decisores, deem tempo aos professores para ensinar e aos alunos para aprender.

 

Oiça aqui a crónica, se preferir: