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Fónix Lab

Laboratório para exprimir (opiniões) admiração, indignação ou impaciência, em torno de temas atuais.

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A Escola em Portugal

Tribos, turismo educacional, paliativos e a incontornável Escola da Ponte. Sobre a entrevista a J.P.

26
Ago19

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Com o ano letivo a iniciar-se e as escolas e os seus atores a "movimentarem-se" para fazerem face aos "novos desafios", que de novo terão pouco mais do que a burocracia, a leitura da entrevista feita pela jornalista do Observador, Ana Kotowicz, a José Pacheco, leva-nos a refletir sobre o atual momento que vive a Escola. 

Escolhemos três aspetos da entrevista que melhor caracterizam o estado da arte da educação, em Portugal.

As tribos, enquanto conjunto de pessoas unidas pela língua, pelos costumes, instituições e tradições, são notórias, quer a nível macro - as tribos PPIP (projeto-piloto de inovação pedagógica), as tribos com Flexibilidade Curricular e as tribos sem Flexibilidade Curricular - quer a nível micro - as tribos dos que utilizam tecnologia, as dos que não utilizam, as tribos dos defensores de metodologias ativas, a tribo dos clássicos, puros e tradicionais. E ainda existem as tribos dos yes man do diretor, sem falar dos diretores yes man do ministério, e a tribo dos perseguidos, que, ou por fatalidade caíram em desgraça junto dos órgãos de gestão, ou porque são críticos aguerridos e questionam decisões com as quais não concordam.

O turismo educacional, com origem na Escola da Ponte, tem-se alargado a todo o país, não fosse Portugal um destino turístico por excelência, e é ver os turistas, ministros, secretários de estado, presidentes de câmara, vereadores, diretores, chefes de gabinete a rumarem a cada uma destas escolas, mostrando o que de excelente aí se faz e que deixa boquiabertos os nativos por não saberem das qualidades da sua escola, ou porque nunca utilizaram, nem sabem como o poderiam fazer, os equipamentos que tão ilustres convidados vêm ver, em romaria.

Isto, caro leitor, para não entrar em modo de sala de aula do futuro ou ambientes inovadores educativos, porque só isso daria uma nova crónica.

Os paliativos, caixas de socorro, cuja utilização todos os governos promovem, aquando da publicação de orientações, referenciais, decretos, despachos, normativos, aditamentos, esclarecimentos... e às quais as escolas recorrem, o melhor que podem e sabem, para implementar programas políticos.

E é ver os paliativos a serem usados... para criar turmas de nível, de ninho, heterógeneas, homógeneas, de ciclo... para implementar projetos, hortas pedagógicas, yoga, meditação, jogos tradicionais, feiras medievais, salas de aula do futuro... E não queremos entrar em detalhe sobre a cidadania, feita à pressão, nalguns minutos semanais, com professores escolhidos a dedo, que depois dão conta do progresso dos alunos, com uma cruz nas grelhas em Excel, feitas à medida do professor responsável, que fica com o peso nos ombros de avaliar o grau de cidadania de cada um dos alunos. E, se cai na tentação de pedir a opinião dos restantes professores da turma, estes lembram-lhe de imediato que ele é que é o especialista e é que está com eles na sala de aula.

É caso para citar, caro leitor, José Pacheco: "Só duas horas? No resto do tempo o aluno não é cidadão?".

PS. Caro leitor, fique ciente de que o Fónix Lab vai sair para a estrada, em modo "turismo educacional", munido de um bom smartphone, para lhe dar conta de situações fónix nas escolas em Portugal. Com sorte, ainda nos cruzamos com alguns notáveis. 

PS2. Excecionalmente deixamos este post scriptum para louvar todos os educadores e recordamos a crónica que lhes dedicámos: Professores | O nosso filho quer ser professor. Socorro!

 

 

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