Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Fónix Lab

Laboratório para exprimir (opiniões) admiração, indignação ou impaciência, em torno de temas atuais.

Fónix Lab

Laboratório para exprimir (opiniões) admiração, indignação ou impaciência, em torno de temas atuais.

Fónix! Então já não é preciso ter um curso superior?

A era da desinformação e a importância do Conhecimento

23
Set19

apple.jpg

O dia hoje não começou bem!

A consulta habitual das redes sociais, ainda no lusco-fusco, em busca das últimas notícias, deixou-nos atónitos! 

Já não bastavam as fake news (já não se pode ouvir falar deste "bicho papão"), para agora aparecerem os fake books!

Caro leitor, que delícia para os ativistas militantes! Já devem estar a esfregar as mãos!

No início, nem percebemos bem o que poderia ser isto! Mas, uma leitura mais atenta do artigo, mostrou-nos que os livros falsos são inclusivamente vendidos pela maior empresa online de distribuição de livros, a Amazon.

Que mais fakes aparecerão para abalar o nosso mundo, amigo leitor? Vivíamos tão bem com as imitações de roupa e malas de marca que comprávamos nas feiras!

Ainda abalados pela notícia da Amazon, aparecem-nos outros grandes players, em grandes parangonas e em vários media: "Google, Apple e IBM já não pedem diploma universitário nas suas vagas de emprego".

O quê!!? O quê!!?

Relemos e voltamos a ler o título! Não havia dúvidas! E andamos nós a hipotecar-nos para pagar o "cursinho" superior aos nossos filhos! 

Com estas novidades a martelarem-nos o cérebro, decidimos desabafar nesta crónica, mas a discussão em torno dos verbos "ter" ou "tirar" fez-nos divergir. 

Afinal, caro leitor, os cursos têm-se ou tiram-se?

Vejamos... uns tiram o curso, outros compram o curso, mas ainda há aqueles a quem lhes tiram o curso que tinham. Tinham... mas nunca tiraram...

Que confusão, gentil leitor...

Afinal vivemos no mundo em que tudo pode ser fake.

PS. A educação é fundamental, agora mais do que nunca, para fazer face a esta era da desinformação em que a vantagem social, cultural e até financeira está no conhecimento. Cabe à escola educar os alunos para os Media, para que possam, de forma crítica, validar fontes de informação. É esta capacidade que faz e fará cada vez mais a diferença no mundo do trabalho e na sociedade.

 

iWatch, iWatch meu, diz-me... quem tem melhor desempenho do que eu?

20
Set19

relogio.jpg

O despertador toca às 8h.

Hoje não há preguiça. Temos de estar às 10h em ponto à porta da FNAC para sermos os primeiros a comprar o tão desejado relógio da Apple, ou, como familiarmente lhe chamamos, iWatch.

Como poderíamos não estar entusiasmados? Parece que o novo device é tão inteligente que, em caso de ataque cardíaco e até de uma queda grave, liga para o 112.

Já imaginou, caro leitor, o poder de um simples relógio?

Claro que isto nos criou algumas fantasias que nos assaltaram o espírito e nos levaram a divagações extraordinárias.

É óbvio que as funcionalidades deste novo aparelho são brilhantes e dignas de reparo. Se não vejamos: mede a nossa frequência cardíaca, com emissão de um relatório que podemos encaminhar para o médico de família; gere o período menstrual, o exercício físico, o nível de ruído, já para não falar no facto de ser cada vez mais uma réplica do iPhone. 

Mas, e se fôssemos mais atrevidos? Poderíamos chegar mesmo ao "iWatch, iWatch meu, diz-me... quem tem melhor desempenho do que eu?"

Já imaginamos os concursos em rede, as conversas entre colegas, a mostrarem os respetivos scores.

O nível de álcool consumido, a percentagem de gordura corporal, a atividade mental, física e sexual, por exemplo, e seria vê-los (ou como se diz agora... vê-los e vê-las, pedimos desculpa se esta não for a ordem correta)  a vangloriarem-se por fazerem a alimentação mais saudável ou, entre amigos, a compararem desempenhos sexuais, ou até o nível de poluição existente no bairro de cada um.

Já imaginou, caro leitor? Um sonho, um pesadelo ou uma inevitabilidade?

PS. As portas abriram-se, deixámo-nos de divagações e apressámos o passo. Queríamos ter a certeza que garantíamos a aquisição do tão desejado Apple Watch. 

 

Falar para não estar calado

Os portugueses e os chavões

01
Set19

silencio-jpeg.jpg

Questionamo-nos, frequentemente, sobre a necessidade absurda que as pessoas têm de estarem sempre a falar, mesmo que seja para dizer coisa nenhuma. E aborrece-nos, sobretudo, quando utlizam os conhecidos chavões, frases feitas... pior, ainda, quando os utilizam para "rematar" uma conversa que tinha tudo para ser interessante.

Se não vejamos, caro leitor...

Será que esta nossa típica expressão "se não" já se está a transformar, ela própria, num chavão?

Vejamos alguns exemplos.

No restaurante, lá vem o funcionário oferecer uma entrada, que nos vai custar "os olhos da cara" (chavão!), para "abrir com chave de ouro" (chavão!). Para não falar da sobremesa e terminar com a mesma chave.

Na rua, encontramos um conhecido, que nos responde, invariavelmente, que "vai indo" (chavão!), independentemente do seu estado de espírito.

Em viagem, com o cônjuge, quando perguntamos o quer quer fazer, diz sempre "o que tu quiseres" (chavão!), para depois se iniciar uma discussão sobre o que escolhemos que não correspondeu às suas expetativas. Aqui é caso para utilizar o chavão "eu bem te disse!"

Na loja, quando experimentamos uma peça de roupa, que até uma criança vê que nos fica mal, e o empregado, com ar de entendido, nos diz "cai-lhe que nem uma luva" (chavão!).

Em contexto laboral, quando se tenta implementar algo de novo, como por exemplo utilizar uma nova ferramenta, que funciona exatamente da mesma forma que a anterior, para não dizer que é até mais fácil de usar, e nos olham com receio, dizendo, com algum desespero, "precisamos de formação" (chavão!). 

No pub, enquanto se assiste a um jogo de futebol e se bebe uma cerveja, e, no fim do jogo, um cliente remata a conversa com um "aconteceu futebol!" (chavão!) e outro, cujo clube perdeu, responde "voltamos à estaca zero" (chavão!).

Caro leitor, é caso para usar o chavão "o silêncio é de ouro".

Vivemos numa sociedade em que as pessoas estão a perder a capacidade de ser e estar... de sermos nós próprios, aceitando o que nos caracteriza e mostrando empatia pelo outro... de estarmos sem preconceitos, sem receio de sermos mal vistos ou interpretados. Mesmo que isso implique estar em silêncio.

PS. Converse, sem filtros sociais. Assuma as suas convicções e aceite que pensem de forma diferente. É nesta diferença que se criam novos patamares de entendimento. E, por favor, evite chavões.

 

by influenciadores | work in progress

A tecnologia, parceira ou adversária?

Onde? Quando? Com quem? E como quiser!

30
Ago19

tecno.jpg

Numa roda de amigos, demos connosco a falar dos filhos que alguns têm a estudar longe, mercê do facto de não terem tido vaga na universidade portuguesa. Uns lastimavam-se pela distância, outros contrapunham, dizendo que, de avião, estavam a poucas horas e, para nosso espanto, um casal  acrescentou que, apesar da distância, todos os dias se ligavam, via Skype, com a sua filha a estudar no estrangeiro e jantavam "virtualmente".

Esta conversa levou-nos a pensar no medo que a tecnologia suscita, por se achar que cria um fosso tremendo nas relações humanas, e recordámos o tempo em que os filhos estavam fechados nos quartos "ligados ao ecrã", só saindo para comer, após vários gritos ou um SMS ameaçador, enviado pelos pais e, quase sempre, sob ameaça de lhes tirarem o computador.

De facto, os tempos são outros e a tecnologia existe para nos servir. Muito se fala dos seus malefícios. Esquecemo-nos, frequentemente, que ela, como todas as criações humanas, tem o seu lado bom e mau, consoante o uso e o fim que lhe damos. Sempre foi assim com qualquer artefacto humano.

Sim, mas o toque humano é fundamental, dirá o nosso leitor.

As relações humanas vivem desse "estar com o outro", mas, face à mobilidade que caracteriza o nosso tempo, quer falemos dos estudos, quer da vida profissional e social, a existência da tecnologia permite-nos estar, partilhar e viver em sintonia com os outros, quando a situação que vivemos não nos permite o tal toque. Basta um clique.

A tecnologia pode, contudo, transformar-se numa adversária, quando não a sabemos usar. Quando se torna uma dependência que nos afasta do outro, da vida. Quando nos desencaminha. Quando não estamos preparados para aquilo que encontramos na Web e não processamos a informação com espírito crítico. Quando não cuidamos da nossa reputação e descuidamos a privacidade.

Bem estão os que a sabem usar em seu benefício, com conta, peso e medida. Independentemente da forma como a utilizamos, o facto é que a tecnologia marca todos os aspectos da nossa vida: como trabalhamos, como estudamos, como amamos, como nos relacionamos, como nos divertimos.

Caro leitor, ainda se lembra do martírio que era pedir uma certidão de nascimento? Renovar o bilhete de identidade, fazer qualquer transação bancária? Ainda é desse tempo? 

Indelevelmente, o mundo está a mudar. A tecnologia derrubou obstáculos, aproximou as pessoas, universalizou o acesso ao conhecimento. Se olharmos para trás, já não seremos capazes de nos imaginar sem  este mundo dominado pela inovação constante, pelo prazer de descobrir novas formas de viver. Porque, quer queiramos, quer não, vivemos de forma muito diferente.

PS.  Entrámos no carro e os olhos dirigiram-se para o ecrã à nossa frente, vimos as condições do trânsito, o melhor percurso e a hora de chegada. No banco de trás, já se criava um grupo no FaceTime para se saberem novidades da família, a todo o momento.

 

by influenciadores | work in progress

Os Insatisfeitos

Season I - Os veraneantes | Só estou bem aonde não estou

19
Ago19

praia.jpg

 

praia1.jpg

 

praia2.jpg

 

O lançamento do novo filme de João Maia, "Variações" (dia 22, quinta-feira), e a observação das pessoas que povoam o sul do país neste período de férias, leva-nos a dissertar sobre uma nova categoria humana. Os Insatisfeitos, tão bem representados por António Variações, ao longo da sua vida, sempre em busca do que não tinha, aliás como ele faz notar na canção "Estou além", que poderá ver e ouvir no final desta crónica.

Esta busca incessante faz-nos lembrar o ritual dos veraneantes, ao início da manhã e ao final da tarde, que, em fila, vão e vêm da praia, com ar infeliz, carregado e carregados! Com chapéus, chapéus de sol, cadeiras, geleiras, sacos de toalhas, filhos pela mão, cães pela trela e a sogra atrás. Fónix, que cansaço!

Para não falar já da trabalheira para estacionar o carro, sempre que a família exige um passeio a uma praia, a um restaurante, a um miradouro, ou uma festa popular, onde se podem tirar umas fotos à maneira, que comprovem a nossa passagem por ali. Como se isto não bastasse, chegados ao local onde estamos alojados, inicia-se uma nova luta, encontrar a tão desejada sombrinha para o veículo. Apetece ir de férias?!

Já passou por isto, caro leitor?

O que nos move, ano após ano, a seguir este ritual? Será que só estamos bem onde não estamos? Esta condição de insatisfação levar-nos-á a passar por isto?

PS. Chegados a casa, pomos o nosso melhor sorriso, condicente com o bronzeado, e vendemos a ideia de umas férias paradisíacas e prazerosas. O que condiz com as fotos tiradas a preceito e divulgadas em todas as redes sociais em que estamos presentes. Que grandes férias! Fónix, que saudades!

 

 

by influenciadores | work in progress

 

 

Os Políticos

Uma espécie em extinção

18
Ago19

ágora.jpg

Não nos é grato escrever, PENSAR, sobre política, mas as circunstâncias, a realidade, obrigam-nos.

"Em política o que parece é". Os políticos (re)conhecem esta máxima melhor do que ninguém ou, como diziam já os nossos avós, sabiamente, "não há fumo sem fogo!"

A política devia ser a mais nobre das ciências humanas.  O  termo tem origem no grego politiká, derivado de polis, que designa o que é público, e tikós, que se refere ao bem comum de todas as pessoas. Em suma, a política é a ciência que se preocupa com o bem dos cidadãos.

Atentos a esta definição, em Portugal, não se vislumbram políticos. Talvez seja uma espécie em extinção.

Concorda, caro leitor?

Se não, vejamos o que norteia o Político português.

Uns fazem de tudo para se manterem no poder, não praticam a "política". Respondem a emergências, asseguram cargos, alimentam o interesse de grupos, visando, em primeiro lugar, a manutenção do poder.

O que contraria, de forma flagrante,  o princípio mais nobre da política: governar para todos.

Na oposição...

Amigo leitor, onde está a oposição?

Está de tal forma ausente, que não se dá por ela, o que é gravíssimo e mina os pilares de qualquer democracia. 

Os cidadãos sentem-se órfãos, pois não são representados por ninguém. Mesmo os que apoiam o poder, quando Pensam, constatam o jogo de interesses e os vícios que norteiam a classe política. 

Os simpatizantes da oposição, certamente, não se revêm no silêncio cúmplice dos que deveriam defender a sua ideologia.

Os Media desempenham um papel importantíssimo em tudo isto, porque dão voz ao Político.

Estarão manietados pelo poder Político e económico? Onde está o jornalismo que se rege pela verdade dos factos? O que pensa o leitor?

Afligem-no, certamente, caro leitor, as leituras políticas de pseudo especialistas (profissionais do "achismo") que de tudo falam nos media, mas não acrescentam nada.

Sentimo-nos impotentes. Este estado de coisas enfraquece a democracia, debilita o estado de direito. Mais preocupante, todavia, do que ter os ditos Políticos a "governar as suas casas",  é o impacto que se repercute nos nossos jovens, já visível na Geração Z, os que começaram agora a votar, que se mostram completamente desinteressados, diriamos mesmo, politicamente desligados.

Caro leitor, já pensou que a sua vida está nas mãos destes senhores?

PS. Voltemos a Aristóteles. Centremo-nos no que é essencial, isto é, orientar a política para o interesse dos cidadãos.

 

 

by influenciadores | work in progress

 

 

 

 

Os Amantes

Hoje estavas deslumbrante, Mulher!

17
Ago19

amantes.JPG

Chego ao ponto de encontro, o hotel habitual. Sorriso estampado no meu rosto... já não nos vemos há 15 dias. Saudades, misturadas com desejo. Vontade do toque da pele, do beijo quente que tudo inicia.

Vejo-a e sorrio. Estou cansado, acabei de estar com a Madalena. Hoje, estava cega de paixão. Vou convidar a Maria para um copo no bar do hotel e assim ganho algum fôlego. Será que não estranha? Mas preciso de algum tempo para me recompor.

Beija-me e, estranhamente, convida-me para irmos beber um copo. Fico surpreendida mas disfarço. Digo que sim, mas os pensamentos tomam conta de mim... o que terá para me contar?

Vejo-a, sinto-a apreensiva, o que lhe estará a passar pela cabeça? Possivelmente o facto de termos o tempo contado. Enlaço-a ternamente e encaminho-a para o bar.

Caro Leitor, esta é uma história que lhe é, certamente, familiar, pois relata a vida paralela de muitas Marias e muitos Carlos deste mundo.

O gosto pela conquista já o levou à intimidade com muitas mulheres. Maria deixou-se seduzir pelos avanços, primeiro tímidos, depois picantes, de Carlos que conheceu no Facebook. Em casa, ambos têm à sua espera os respetivos cônjuges e os filhos.

Não querem pôr em perigo o lar, a família, mas o gosto pela conquista, a ilusão criada pelo prazer efémero de algumas horas, em que se entregam sem pensar em mais nada, domina-os por completo.

Por que é que isto acontece, amigo leitor?

Devido a casamentos que esmorecem, relações que se tornam ocas... ou por culpa de uma sociedade que nos vende "os amantes"? Nos sites de encontros, nos motéis de luxo, na vontade de reproduzir estereótipos, imitando a vida amorosa e fútil das celebridades.

Apesar de nos queixarmos, nunca tivemos tantos bens materiais, que acumulamos, sem necessidade, tentando preencher uma insatisfação que teima em não desaparecer. 

O que nos falta, amável leitor?

A insatisfação leva-nos a procurar... não sabemos bem o quê, de forma incessante. Por isso, inúmeras vezes, fixamo-nos no outro, porque isso nos apimenta a vida. 

O processo de sedução banalizou-se com o boom das comunicações móveis e o advento das mensagens virtuais. Diz-se, por escrito, o que nunca teríamos coragem para dizer olhos nos olhos. Flirta-se por sms, com emojis, trocam-se fotografias... é o sexting que se massifica, fruto do impacto das redes sociais.

Certamente, o amigo leitor está a sorrir, pois é uma prática que, pense bem, não lhe é desconhecida.

Estas vidas paralelas, pelo perigo de que se revestem, dão sentido à vida, pelo prazer, pelo risco, pelo desejo, na busca incessante daquilo que nos falta, que não é nada! Por isso também nos tiram sentido à vida.

Paradoxal, sim, caro leitor.

PS. Maria e Carlos subiram ao quarto do hotel. Ambos sabiam que era a última vez. Na lista têm já outros prováveis Amantes. Ambos o sabem. Reinicia-se o ciclo.

 

***

by influenciadores | work in progress

 

 

Os Especialistas

Fónix, eles sabem tudo!

16
Ago19

copo.jpg

Sentados em frente ao pequeno ecrã, damos connosco a enumerar, em tom jocoso, a quantidade de especialistas que gravitam e ganham (a) vida, no sentido figurado e literal, tirando partido da notoriedade que lhes é dada pelos meios de comunicação. Falamos dos comentadores políticos.

E qual a especialidade destes comentadores? A maior parte deles são advogados mais ou menos ilustres, que passaram pela política e, desta forma, se mantêm na ribalta.

O caso concreto que nos suscita esta reflexão é o tema do momento, a declarada crise energética que espelha a situação que carateriza Portugal nos dias que correm e que reflete uma profunda crise de valores, com repercussões muito acentuadas no "pequeno trabalhador",sempre dependente do poder patronal e político para sobreviver.

E serão estes comentadores especialistas também nesta área? - pergunta-se, e bem, o nosso amável leitor.

Vivemos na era da informação e temos acesso à mais completa biblioteca do mundo, onde a resposta a todos os mistérios pode ser encontrada facilmente. A Web.

O acesso a essa informação dar-nos-á o conhecimento necessário para nos “transformar” em especialistas, em qualquer área, num piscar de olhos?

Não estaremos iludidos, achando que temos conhecimento, quando, no fundo, apenas temos dados que pesquisamos, de acordo com os nossos objetivos e até crenças e, por isso, apenas valorizamos aquilo que queremos ler, ouvir, ou que nos dá mais jeito?

Até aqui estamos de acordo, caro leitor? Certo?

Este assunto levou-nos até uma leitura, feita há algum tempo atrás, do livro do especialista, este sim, Tom Nichols, “A morte da competência – os perigos da campanha contra o conhecimento estabelecido", da Quetzal. Vejamos, a título de exemplo, o que diz o autor, a este propósito. “Os ataques ao conhecimento e à cultura levam à convicção irracional de que qualquer um - depois de frequentar os fóruns da Internet - é tão inteligente e tão bem preparado como um perito para discutir seja que assunto for. As pessoas acreditam que ter direitos políticos iguais significa que a opinião do cidadão comum vale tanto como a de um especialista.”

Este, caro leitor, é o retrato vivo dos comentadores que vemos, diariamente, nos nossos ecrãs.

Não há assunto que não dominem. Parecem estar acima do comum dos mortais, tal o saber com que se pavoneiam, quando, como sabe o esclarecido leitor, se limitam a debitar suposições e opiniões, com base em leituras que utilizam para justificar o que querem dizer, ou seja para manipular os mais incautos.

Toda esta situação faz-nos lembrar a imagem do copo meio cheio ou meio vazio, consoante se é, ou não, o dono da casa.

PS. Fónix! Em vez de falar em copos, vamos mas é beber um.

 

by influenciadores | work in progress

Agarrados ao ecrã

Desliga-te, Fónix!

15
Ago19

agarrados.jpg

No areal, entre banhos na água fria e uma caminhada prolongada, a conversa levou-nos para um tema cada vez mais recorrente no mundo atual.

A dependência dos ecrãs.

Basta levantar o olhar para verificarmos que a maioria dos veraneantes vive agarrado ao ecrã. Ora uns, ora outros, todos.

Lembrámo-nos de um casal amigo e do desabafo da Maria, falando do companheiro, "Este homem, sempre que me viro na cama, está agarrado ao ecrã." e acrescenta "Eu não me atrapalho e agarro-me ao meu". E assim vivem, juntos, mas separados.

O que pensa disto, amigo leitor?

Acreditamos que a nossa sociedade está a intensificar este problema, com consequências, que ainda não conseguimos prever, nas relações humanas.

É recorrente encontrar nos restaurantes, cafés e, até nos bares, pela noite dentro, crianças agarradas ao ecrã, enquanto os pais comem ou bebem um copo, sem largar de vista o pequeno aparelho.

Este pensamento leva-nos de volta ao casal amigo que, ao invés de apreciar os momentos que a vida lhes proporciona, os gravam para partilhar ou transmitir em direto nas redes... mais preocupados em mostar (-se) do que em viver.

É aqui que estamos e assim que somos, gentil amigo.

Somos uma ilusão para o outro, feita de imagens postadas de sítios onde nunca fomos e de gostos de gente que não conhecemos.

Somos uma sociedade agarrada ao ecrã.

E se o Humano é aquilo que sente, o que vê, o que vive, então, caro leitor, será que somos isto? Cada vez mais uma ilusão?

E os nossos jovens, que crescem com este modelo, no que se tornarão?

Fónix! Vivemos numa sociedade do 8 ou do 80! Este paradoxo espanta-nos, pois temos tudo ao alcance de um clique, mas tudo perdemos, enredados na doce ilusão que nos move. 

O pôr do sol atrai a nossa atenção. Lindo! 

Fónix! Pegamos no telemóvel, levantamo-nos, acercamo-nos da ria e pimba! Já está! Postamo-la de imediato e... venham os gostos e os comentários!... Que maravilha!

PS. Fónix! Estamos agarrados!

 

 

by influenciadores | work in progress

 

 

Os Amáveis

Uma espécie em extinção?

14
Ago19

oceanos.jpg

Há pessoas e pessoas.

É certo que não temos de ser todos iguais, mas a simpatia do outro faz-nos bem, anima-nos, dá-nos esperança.

Foi o Nélson, da pastelaria Oceanos, que nos leva a dissertar sobre uma outra categoria humana: Os Amáveis!

O leitor habitual poderá estar intrigado com o tom desta crónica, esquecendo-se que no Fónix Lab se discorre sobre tudo aquilo que, sendo bom ou mau, nos provoca estupefação.

E o que tem a pastelaria Oceanos a ver com tudo isto? - pensará o simpático leitor.

A explicação é fácil, a amabilidade, o sorriso e a educação conquistaram-nos.

É pouco ususal, nos tempos que correm, encontrar alguém que, sem nos conhecer, nos trata tão bem! Como se cada cliente fosse único.

Assim é o Nelson, que desta forma nos tem levado, dia após dia ao seu estabelecimento comercial, por ser tão Amável.

Que categoria humana é esta, então?

Os Amáveis são aqueles que nos cativam pelo trato, pela correção, pela qualidade do serviço que nos prestam, pela vontade de cumprir com excelência a sua função, por mais modesta que seja.

Nesta categoria, temos tido a sorte de poder integrar todo o tipo de profissionais.

O médico que numa primeira consulta nos resolve, de forma admirável e inesperada, o problema que levávamos, evitando-nos a ida a outros serviços e profissionais. Sempre com um sorriso e sem preocupações com o tempo.

O funcionário das Finanças que não se limitou a dizer como fazer, mas entrou no sistema e resolveu-nos, logo ali, o problema.

A simpatia marcante das funcionárias de uma Loja do Cidadão que, em poucos minutos, resolveram problemas que já nos tinham levado a outras duas lojas, onde tinhamos perdido tempo e paciência para nada.

A empregada da Timberland de um centro comercial do sul do país que, com toda a simpatia, nos mostrou, aconselhou, conversou, sorriu... criando um momento, raro, que não esqueceremos, pelo clima que se estabeleceu.

E do Nélson... já falámos.

O que acha, caro leitor? Não devia haver forma de notabilizar os Amáveis?

As lojas, a par do "Livro de Reclamações", não deveriam ser obrigadas a ter o "Livro de Elogios"?

PS. Acabámos por sair da pastelaria Oceanos para uma refeição ligeira, na certeza de voltarmos no dia seguinte para o café matinal.

 

by influenciadores | work in progress