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Fónix Lab

Laboratório para exprimir (opiniões) admiração, indignação ou impaciência, em torno de temas atuais.

Fónix Lab

Laboratório para exprimir (opiniões) admiração, indignação ou impaciência, em torno de temas atuais.

Os Políticos

Uma espécie em extinção

18
Ago19

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Não nos é grato escrever, PENSAR, sobre política, mas as circunstâncias, a realidade, obrigam-nos.

"Em política o que parece é". Os políticos (re)conhecem esta máxima melhor do que ninguém ou, como diziam já os nossos avós, sabiamente, "não há fumo sem fogo!"

A política devia ser a mais nobre das ciências humanas.  O  termo tem origem no grego politiká, derivado de polis, que designa o que é público, e tikós, que se refere ao bem comum de todas as pessoas. Em suma, a política é a ciência que se preocupa com o bem dos cidadãos.

Atentos a esta definição, em Portugal, não se vislumbram políticos. Talvez seja uma espécie em extinção.

Concorda, caro leitor?

Se não, vejamos o que norteia o Político português.

Uns fazem de tudo para se manterem no poder, não praticam a "política". Respondem a emergências, asseguram cargos, alimentam o interesse de grupos, visando, em primeiro lugar, a manutenção do poder.

O que contraria, de forma flagrante,  o princípio mais nobre da política: governar para todos.

Na oposição...

Amigo leitor, onde está a oposição?

Está de tal forma ausente, que não se dá por ela, o que é gravíssimo e mina os pilares de qualquer democracia. 

Os cidadãos sentem-se órfãos, pois não são representados por ninguém. Mesmo os que apoiam o poder, quando Pensam, constatam o jogo de interesses e os vícios que norteiam a classe política. 

Os simpatizantes da oposição, certamente, não se revêm no silêncio cúmplice dos que deveriam defender a sua ideologia.

Os Media desempenham um papel importantíssimo em tudo isto, porque dão voz ao Político.

Estarão manietados pelo poder Político e económico? Onde está o jornalismo que se rege pela verdade dos factos? O que pensa o leitor?

Afligem-no, certamente, caro leitor, as leituras políticas de pseudo especialistas (profissionais do "achismo") que de tudo falam nos media, mas não acrescentam nada.

Sentimo-nos impotentes. Este estado de coisas enfraquece a democracia, debilita o estado de direito. Mais preocupante, todavia, do que ter os ditos Políticos a "governar as suas casas",  é o impacto que se repercute nos nossos jovens, já visível na Geração Z, os que começaram agora a votar, que se mostram completamente desinteressados, diriamos mesmo, politicamente desligados.

Caro leitor, já pensou que a sua vida está nas mãos destes senhores?

PS. Voltemos a Aristóteles. Centremo-nos no que é essencial, isto é, orientar a política para o interesse dos cidadãos.

 

 

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Os Amantes

Hoje estavas deslumbrante, Mulher!

17
Ago19

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Chego ao ponto de encontro, o hotel habitual. Sorriso estampado no meu rosto... já não nos vemos há 15 dias. Saudades, misturadas com desejo. Vontade do toque da pele, do beijo quente que tudo inicia.

Vejo-a e sorrio. Estou cansado, acabei de estar com a Madalena. Hoje, estava cega de paixão. Vou convidar a Maria para um copo no bar do hotel e assim ganho algum fôlego. Será que não estranha? Mas preciso de algum tempo para me recompor.

Beija-me e, estranhamente, convida-me para irmos beber um copo. Fico surpreendida mas disfarço. Digo que sim, mas os pensamentos tomam conta de mim... o que terá para me contar?

Vejo-a, sinto-a apreensiva, o que lhe estará a passar pela cabeça? Possivelmente o facto de termos o tempo contado. Enlaço-a ternamente e encaminho-a para o bar.

Caro Leitor, esta é uma história que lhe é, certamente, familiar, pois relata a vida paralela de muitas Marias e muitos Carlos deste mundo.

O gosto pela conquista já o levou à intimidade com muitas mulheres. Maria deixou-se seduzir pelos avanços, primeiro tímidos, depois picantes, de Carlos que conheceu no Facebook. Em casa, ambos têm à sua espera os respetivos cônjuges e os filhos.

Não querem pôr em perigo o lar, a família, mas o gosto pela conquista, a ilusão criada pelo prazer efémero de algumas horas, em que se entregam sem pensar em mais nada, domina-os por completo.

Por que é que isto acontece, amigo leitor?

Devido a casamentos que esmorecem, relações que se tornam ocas... ou por culpa de uma sociedade que nos vende "os amantes"? Nos sites de encontros, nos motéis de luxo, na vontade de reproduzir estereótipos, imitando a vida amorosa e fútil das celebridades.

Apesar de nos queixarmos, nunca tivemos tantos bens materiais, que acumulamos, sem necessidade, tentando preencher uma insatisfação que teima em não desaparecer. 

O que nos falta, amável leitor?

A insatisfação leva-nos a procurar... não sabemos bem o quê, de forma incessante. Por isso, inúmeras vezes, fixamo-nos no outro, porque isso nos apimenta a vida. 

O processo de sedução banalizou-se com o boom das comunicações móveis e o advento das mensagens virtuais. Diz-se, por escrito, o que nunca teríamos coragem para dizer olhos nos olhos. Flirta-se por sms, com emojis, trocam-se fotografias... é o sexting que se massifica, fruto do impacto das redes sociais.

Certamente, o amigo leitor está a sorrir, pois é uma prática que, pense bem, não lhe é desconhecida.

Estas vidas paralelas, pelo perigo de que se revestem, dão sentido à vida, pelo prazer, pelo risco, pelo desejo, na busca incessante daquilo que nos falta, que não é nada! Por isso também nos tiram sentido à vida.

Paradoxal, sim, caro leitor.

PS. Maria e Carlos subiram ao quarto do hotel. Ambos sabiam que era a última vez. Na lista têm já outros prováveis Amantes. Ambos o sabem. Reinicia-se o ciclo.

 

***

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Os Especialistas

Fónix, eles sabem tudo!

16
Ago19

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Sentados em frente ao pequeno ecrã, damos connosco a enumerar, em tom jocoso, a quantidade de especialistas que gravitam e ganham (a) vida, no sentido figurado e literal, tirando partido da notoriedade que lhes é dada pelos meios de comunicação. Falamos dos comentadores políticos.

E qual a especialidade destes comentadores? A maior parte deles são advogados mais ou menos ilustres, que passaram pela política e, desta forma, se mantêm na ribalta.

O caso concreto que nos suscita esta reflexão é o tema do momento, a declarada crise energética que espelha a situação que carateriza Portugal nos dias que correm e que reflete uma profunda crise de valores, com repercussões muito acentuadas no "pequeno trabalhador",sempre dependente do poder patronal e político para sobreviver.

E serão estes comentadores especialistas também nesta área? - pergunta-se, e bem, o nosso amável leitor.

Vivemos na era da informação e temos acesso à mais completa biblioteca do mundo, onde a resposta a todos os mistérios pode ser encontrada facilmente. A Web.

O acesso a essa informação dar-nos-á o conhecimento necessário para nos “transformar” em especialistas, em qualquer área, num piscar de olhos?

Não estaremos iludidos, achando que temos conhecimento, quando, no fundo, apenas temos dados que pesquisamos, de acordo com os nossos objetivos e até crenças e, por isso, apenas valorizamos aquilo que queremos ler, ouvir, ou que nos dá mais jeito?

Até aqui estamos de acordo, caro leitor? Certo?

Este assunto levou-nos até uma leitura, feita há algum tempo atrás, do livro do especialista, este sim, Tom Nichols, “A morte da competência – os perigos da campanha contra o conhecimento estabelecido", da Quetzal. Vejamos, a título de exemplo, o que diz o autor, a este propósito. “Os ataques ao conhecimento e à cultura levam à convicção irracional de que qualquer um - depois de frequentar os fóruns da Internet - é tão inteligente e tão bem preparado como um perito para discutir seja que assunto for. As pessoas acreditam que ter direitos políticos iguais significa que a opinião do cidadão comum vale tanto como a de um especialista.”

Este, caro leitor, é o retrato vivo dos comentadores que vemos, diariamente, nos nossos ecrãs.

Não há assunto que não dominem. Parecem estar acima do comum dos mortais, tal o saber com que se pavoneiam, quando, como sabe o esclarecido leitor, se limitam a debitar suposições e opiniões, com base em leituras que utilizam para justificar o que querem dizer, ou seja para manipular os mais incautos.

Toda esta situação faz-nos lembrar a imagem do copo meio cheio ou meio vazio, consoante se é, ou não, o dono da casa.

PS. Fónix! Em vez de falar em copos, vamos mas é beber um.

 

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Agarrados ao ecrã

Desliga-te, Fónix!

15
Ago19

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No areal, entre banhos na água fria e uma caminhada prolongada, a conversa levou-nos para um tema cada vez mais recorrente no mundo atual.

A dependência dos ecrãs.

Basta levantar o olhar para verificarmos que a maioria dos veraneantes vive agarrado ao ecrã. Ora uns, ora outros, todos.

Lembrámo-nos de um casal amigo e do desabafo da Maria, falando do companheiro, "Este homem, sempre que me viro na cama, está agarrado ao ecrã." e acrescenta "Eu não me atrapalho e agarro-me ao meu". E assim vivem, juntos, mas separados.

O que pensa disto, amigo leitor?

Acreditamos que a nossa sociedade está a intensificar este problema, com consequências, que ainda não conseguimos prever, nas relações humanas.

É recorrente encontrar nos restaurantes, cafés e, até nos bares, pela noite dentro, crianças agarradas ao ecrã, enquanto os pais comem ou bebem um copo, sem largar de vista o pequeno aparelho.

Este pensamento leva-nos de volta ao casal amigo que, ao invés de apreciar os momentos que a vida lhes proporciona, os gravam para partilhar ou transmitir em direto nas redes... mais preocupados em mostar (-se) do que em viver.

É aqui que estamos e assim que somos, gentil amigo.

Somos uma ilusão para o outro, feita de imagens postadas de sítios onde nunca fomos e de gostos de gente que não conhecemos.

Somos uma sociedade agarrada ao ecrã.

E se o Humano é aquilo que sente, o que vê, o que vive, então, caro leitor, será que somos isto? Cada vez mais uma ilusão?

E os nossos jovens, que crescem com este modelo, no que se tornarão?

Fónix! Vivemos numa sociedade do 8 ou do 80! Este paradoxo espanta-nos, pois temos tudo ao alcance de um clique, mas tudo perdemos, enredados na doce ilusão que nos move. 

O pôr do sol atrai a nossa atenção. Lindo! 

Fónix! Pegamos no telemóvel, levantamo-nos, acercamo-nos da ria e pimba! Já está! Postamo-la de imediato e... venham os gostos e os comentários!... Que maravilha!

PS. Fónix! Estamos agarrados!

 

 

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Os Amáveis

Uma espécie em extinção?

14
Ago19

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Há pessoas e pessoas.

É certo que não temos de ser todos iguais, mas a simpatia do outro faz-nos bem, anima-nos, dá-nos esperança.

Foi o Nélson, da pastelaria Oceanos, que nos leva a dissertar sobre uma outra categoria humana: Os Amáveis!

O leitor habitual poderá estar intrigado com o tom desta crónica, esquecendo-se que no Fónix Lab se discorre sobre tudo aquilo que, sendo bom ou mau, nos provoca estupefação.

E o que tem a pastelaria Oceanos a ver com tudo isto? - pensará o simpático leitor.

A explicação é fácil, a amabilidade, o sorriso e a educação conquistaram-nos.

É pouco ususal, nos tempos que correm, encontrar alguém que, sem nos conhecer, nos trata tão bem! Como se cada cliente fosse único.

Assim é o Nelson, que desta forma nos tem levado, dia após dia ao seu estabelecimento comercial, por ser tão Amável.

Que categoria humana é esta, então?

Os Amáveis são aqueles que nos cativam pelo trato, pela correção, pela qualidade do serviço que nos prestam, pela vontade de cumprir com excelência a sua função, por mais modesta que seja.

Nesta categoria, temos tido a sorte de poder integrar todo o tipo de profissionais.

O médico que numa primeira consulta nos resolve, de forma admirável e inesperada, o problema que levávamos, evitando-nos a ida a outros serviços e profissionais. Sempre com um sorriso e sem preocupações com o tempo.

O funcionário das Finanças que não se limitou a dizer como fazer, mas entrou no sistema e resolveu-nos, logo ali, o problema.

A simpatia marcante das funcionárias de uma Loja do Cidadão que, em poucos minutos, resolveram problemas que já nos tinham levado a outras duas lojas, onde tinhamos perdido tempo e paciência para nada.

A empregada da Timberland de um centro comercial do sul do país que, com toda a simpatia, nos mostrou, aconselhou, conversou, sorriu... criando um momento, raro, que não esqueceremos, pelo clima que se estabeleceu.

E do Nélson... já falámos.

O que acha, caro leitor? Não devia haver forma de notabilizar os Amáveis?

As lojas, a par do "Livro de Reclamações", não deveriam ser obrigadas a ter o "Livro de Elogios"?

PS. Acabámos por sair da pastelaria Oceanos para uma refeição ligeira, na certeza de voltarmos no dia seguinte para o café matinal.

 

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Os Indiferentes

Tá-se bem!

13
Ago19

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Aconteceu num restaurante situado no cimo de uma falésia, em jeito de varanda sobre o mar...

O curioso leitor já está em pulgas para saber o que aconteceu de tão "Fónix" que nos leva a escrever esta crónica...

Saciemos a sua curiosidade, até porque tudo aconteceu num restaurante.

Almoçávamos paulatinamente, saboreando a qualidade do peixe algarvio, quando nos apercebemos que dois jovens bem parecidos, que estavam sentados lá fora na esplanada, depois de comerem e beberem faustosamente, fugiram.

A esplanada estava cheia, mas ninguém esboçou o mínimo gesto para alertar os empregados, nem mostrou estranheza pelo ato, isto é, ficaram completamente indiferentes.

Este comportamento leva-nos a identificar mais uma categoria humana que marca o nosso tempo: a dos Indiferentes.

Sim, os Indiferentes são exatamente o oposto do notável leitor, que se cruza com eles todos os dias.

Descrevamo-los:

São os que, em qualquer circunstância e sob qualquer pretexto, estão sempre em modo "Tá-se bem!"

Estão a roubar um gelado a uma criança ou a assaltar uma caixa multibanco, mas... Tá-se bem!

Estão a insultar, a maltratar, a espezinhar um cidadão ao seu lado, mas... Tá-se bem!

Está uma pessoa no chão a precisar de ajuda, mas... Tá-se bem!

"Tá-se bem" porque nenhuma destas situações os toca, os aflige, lhes faz sentir na pele o problema dos outros ou do mundo que os rodeia. Tá-se bem!

....Porque são Indiferentes.

Perdemo-nos a pensar, para tentar peceber a origem deste mal e concluímos que a sociedade, em sentido lato, e a escola, em sentido restrito, têm a sua quota parte de culpa neste estado de coisas.

Se não, vejamos: 

Para o poder político "Tá-se bem!", desde que a situação, seja ela qual for, não os atinja ou à sua Família.

Para a sociedade civil "Tá-se bem!", desde que a sua vidinha "corra de mansinho", sem sobressaltos.

E a escola, a quem os políticos e a sociedade incumbem de encontrar respostas, vê-se impotente para responder a cada vez mais urgências, acabando os agentes educativos, em nome da sobrevivência, por assumir algumas vezes também o "Tá-se bem!"

Estaremos a generalizar demasiado, amável leitor? Quer ajudar-nos a entender este fenómeno?

PS. Entretanto, no restaurante, tudo continuou como se nada tivesse acontecido, até para os empregados, após uns segundos de surpresa.

Fónix! Os únicos que PENSARAM sobre isto fomos nós.

 

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