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Fónix Lab

Laboratório para exprimir (opiniões) admiração, indignação ou impaciência, em torno de temas atuais.

Fónix Lab

Laboratório para exprimir (opiniões) admiração, indignação ou impaciência, em torno de temas atuais.

iWatch, iWatch meu, diz-me... quem tem melhor desempenho do que eu?

20
Set19

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O despertador toca às 8h.

Hoje não há preguiça. Temos de estar às 10h em ponto à porta da FNAC para sermos os primeiros a comprar o tão desejado relógio da Apple, ou, como familiarmente lhe chamamos, iWatch.

Como poderíamos não estar entusiasmados? Parece que o novo device é tão inteligente que, em caso de ataque cardíaco e até de uma queda grave, liga para o 112.

Já imaginou, caro leitor, o poder de um simples relógio?

Claro que isto nos criou algumas fantasias que nos assaltaram o espírito e nos levaram a divagações extraordinárias.

É óbvio que as funcionalidades deste novo aparelho são brilhantes e dignas de reparo. Se não vejamos: mede a nossa frequência cardíaca, com emissão de um relatório que podemos encaminhar para o médico de família; gere o período menstrual, o exercício físico, o nível de ruído, já para não falar no facto de ser cada vez mais uma réplica do iPhone. 

Mas, e se fôssemos mais atrevidos? Poderíamos chegar mesmo ao "iWatch, iWatch meu, diz-me... quem tem melhor desempenho do que eu?"

Já imaginamos os concursos em rede, as conversas entre colegas, a mostrarem os respetivos scores.

O nível de álcool consumido, a percentagem de gordura corporal, a atividade mental, física e sexual, por exemplo, e seria vê-los (ou como se diz agora... vê-los e vê-las, pedimos desculpa se esta não for a ordem correta)  a vangloriarem-se por fazerem a alimentação mais saudável ou, entre amigos, a compararem desempenhos sexuais, ou até o nível de poluição existente no bairro de cada um.

Já imaginou, caro leitor? Um sonho, um pesadelo ou uma inevitabilidade?

PS. As portas abriram-se, deixámo-nos de divagações e apressámos o passo. Queríamos ter a certeza que garantíamos a aquisição do tão desejado Apple Watch. 

 

A praga do politicamente correto

Fónix! Está tudo maluco?

19
Set19

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Ler a imprensa, nos dias que correm, tem que se lhe diga. Para além da estupefação das notícias do dia a dia, que vão desde a deturpação de relatórios europeus pelos detentores de cargos públicos, passando pelo favorecimento de amigos e familiares em negócios que acabam sempre por ser onerosos para todos nós, terminando com a suspeição criada pela abertura de inquéritos judiciais a políticos em funções de responsabilidade, estas situações parecem não ter fim. 

Amigo leitor, o que se passa com esta gente? Como pôr cobro a esta situação? 

Quer-nos parecer que, nas bocas dos especialistas, neste país, o mentiroso é o hábil, o que denuncia estas situações não tem jeito para a política e o que nos engana, rouba, sempre com um sorriso nos lábios é um animal político.

Num período que se queria de discussão de programas, de apresentação de ideias e de soluções para o país, é vê-los com pezinhos de lã, a medirem as suas palavras, não indo para além do politicamente correto e da estratégia do poder pelo poder.

E os jornalistas, a quem cabe a função de promover o debate, devidamente munidos da informação que interessa verdadeiramente aos portugueses, limitam-se a perguntas óbvias que até uma criança percebe que foram ensaiadas e, provavelmente, validadas superiormente. 

Caro leitor, serão assim tão inábeis? Tão mal preparados? Serão "mansos"? Não será esta a explicação para a decadência acelerada da imprensa? 

Quantas gerações serão necessárias para alterar este ciclo vicioso? O que pode a escola fazer para mostrar aos alunos que não devem seguir os modelos que veem todos os dias nos media?

Aqueles que deviam ser modelo, na atitude e na palavra, são aqueles que piores exemplos dão. Como se isso não bastasse, enchem a boca com conceitos como cidadania, ética e valores... que não praticam, e dão-se ao desplante de regulamentar a forma como estes conceitos devem ser trabalhados nas escolas.

Claro, ninguém que pense, os leva a sério. Concorda, amigo leitor?

PS. Esquecemo-nos de dizer que esta crónica foi escrita numa quinta feira à noite, depois de ver polígrafos, comentadores, especialistas e até alguns jornalistas a fazer de conta que se preocupam, quando, todos vemos, se alimentam disto.

Fónix, está tudo maluco?!

 

 

 

A Escola numa encruzilhada

Entre as modas e o peso da tradição

06
Set19

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O século em que vivemos não para de nos surpreender e maravilhar. Na impossibilidade de estarmos presentes num encontro de professores, só possível como infiltrados, foi com alegria inusitada que descobrimos nas redes sociais, where else?, o podcast da intervenção do professor António Sampaio da Nóvoa, no passado dia 4 de setembro, em Oeiras, que, sejamos francos, faz uma receção aos professores digna da notabilidade que estes deveriam ter... à beira da piscina, com música, o mar ao fundo e o que degustar.

Caro leitor, a clareza, a visão e a conjugação entre clássicos e contemporâneos, neste pensador português, surpreendem-nos sempre. Concorda, prezado leitor?

A Escola, quer tenhamos filhos em idade escolar, ou não, "é um bem comum" (A. Nóvoa), e é, por isso, um tema recorrente e obrigatório, para  o cidadão e para a sociedade no seu todo. Preocupa-nos, assim, vê-la numa espécie de "camisa de forças", dividida entre a necessidade de (se) inovar e o peso da tradição, própria de qualquer instituição que é balizada por normativos e que se rege por tradições seculares.

As modas na educação, forçadas pela contínua pressão do digital, que está cada vez mais presente no dia a dia do cidadão, empurram a Escola para a experimentação de todas as inovações que vão aparecendo, vendidas como "miraculosas" para o sucesso. E lá se veem os professores enredados numa rede que não funciona - a wi-fi - com equipamentos obsoletos e com alunos que não percebem o fim último desta "agitação" educativa.

Por outro lado, as "grandes reformas educativas" prometem a tão desejada autonomia, para que cada escola possa cumprir o seu desígnio, mas, quando os professores dão conta, estão a preencher plataformas e a prestar contas, como nunca.

Sejamos francos, amigo leitor! Haverá quem perceba mais de educação do que os próprios professores?

Concordamos em absoluto, com A. Nóvoa, quando diz que a Escola e os professores são insubstituíveis. E sabemos que não há inovação nem mudança que não parta da própria Escola. 

Lembra-se de já termos falado sobre isto, caro leitor? Quando dissemos, na crónica "Do uso da tecnologia na escola", que é a cultura de escola que alavanca qualquer mudança?

De facto, os professores não podem virar as costas aos "aportes" que a tecnologia e a ciência podem trazer à educação, mas, como para qualquer profissional, o tempo de integração, de experimentação e de avaliação é fundamental.

Preocupem-se os políticos e os órgão de gestão de municípios, de comunidades intermunicipais, de agrupamentos e de escolas, em criar as condições para um ambiente educativo capaz de se adequar a novas formas de organizar o tempo, o espaço e as pessoas. Para não falar dos currículos.

Afinal, caro leitor, não era para isto que deveria servir a tão badalada flexibilidade?

A História comprova-nos que as modas vão e vêm e que se mantém o essencial, como já dizia António Sérgio, em 1916.

"O trabalho na escola deve organizar-se em torno de centros de interesse, tendo em consideração “os interesses espontâneos da criança e as atividades económicas locais” António Sérgio (p. 144, 1916)."

PS. Palavras na ordem do dia para qualquer educador, mas também para qualquer cidadão: emoção e motivação. Criem-se as condições para que qualquer profissional, ou cidadão, possa viver a sua vida, profissional e pessoal, em pleno.

 

 

 

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Falar para não estar calado

Os portugueses e os chavões

01
Set19

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Questionamo-nos, frequentemente, sobre a necessidade absurda que as pessoas têm de estarem sempre a falar, mesmo que seja para dizer coisa nenhuma. E aborrece-nos, sobretudo, quando utlizam os conhecidos chavões, frases feitas... pior, ainda, quando os utilizam para "rematar" uma conversa que tinha tudo para ser interessante.

Se não vejamos, caro leitor...

Será que esta nossa típica expressão "se não" já se está a transformar, ela própria, num chavão?

Vejamos alguns exemplos.

No restaurante, lá vem o funcionário oferecer uma entrada, que nos vai custar "os olhos da cara" (chavão!), para "abrir com chave de ouro" (chavão!). Para não falar da sobremesa e terminar com a mesma chave.

Na rua, encontramos um conhecido, que nos responde, invariavelmente, que "vai indo" (chavão!), independentemente do seu estado de espírito.

Em viagem, com o cônjuge, quando perguntamos o quer quer fazer, diz sempre "o que tu quiseres" (chavão!), para depois se iniciar uma discussão sobre o que escolhemos que não correspondeu às suas expetativas. Aqui é caso para utilizar o chavão "eu bem te disse!"

Na loja, quando experimentamos uma peça de roupa, que até uma criança vê que nos fica mal, e o empregado, com ar de entendido, nos diz "cai-lhe que nem uma luva" (chavão!).

Em contexto laboral, quando se tenta implementar algo de novo, como por exemplo utilizar uma nova ferramenta, que funciona exatamente da mesma forma que a anterior, para não dizer que é até mais fácil de usar, e nos olham com receio, dizendo, com algum desespero, "precisamos de formação" (chavão!). 

No pub, enquanto se assiste a um jogo de futebol e se bebe uma cerveja, e, no fim do jogo, um cliente remata a conversa com um "aconteceu futebol!" (chavão!) e outro, cujo clube perdeu, responde "voltamos à estaca zero" (chavão!).

Caro leitor, é caso para usar o chavão "o silêncio é de ouro".

Vivemos numa sociedade em que as pessoas estão a perder a capacidade de ser e estar... de sermos nós próprios, aceitando o que nos caracteriza e mostrando empatia pelo outro... de estarmos sem preconceitos, sem receio de sermos mal vistos ou interpretados. Mesmo que isso implique estar em silêncio.

PS. Converse, sem filtros sociais. Assuma as suas convicções e aceite que pensem de forma diferente. É nesta diferença que se criam novos patamares de entendimento. E, por favor, evite chavões.

 

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Ler, ler, ler...

Já Albert Einstein dizia: para que as crianças sejam inteligentes, leiam-lhes contos de fadas

31
Ago19

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A mania dos podcasts, que teimamos em ouvir quando viajamos de carro, levou-nos até Neil Gaiman (NG) e este até esta citação de Albert Einstein: "para que as crianças sejam inteligentes, leiam-lhes contos de fadas".

Neste podcast, NG fala do futuro, que não vê sem livros, leitura, bibliotecas, bibliotecários e sonhos, muitos sonhos.

Os professores, os pais, os editores teimam em dizer que as crianças não gostam de ler, que leem cada vez menos. De facto, se olharmos para a leitura como ato isolado entre o leitor e o livro, é verdade. Contudo, se tivermos em conta a forma como se lê hoje, em suportes variados, de forma isolada ou em rede, chegamos à conclusão que se lê mais e em qualquer idade. 

Caro leitor, o que mudou foi a forma como lemos, onde lemos e o que lemos. Concorda?

Neste contexto, não podemos pôr de lado os últimos estudos que mostram, de forma clara, que o ato de ouvir ler ativa os mesmos processos neurológicos que o ato de ler.

Lembra-se o caro leitor o que dizemos na crónica "Ler ou ouvir? Como aprendemos melhor?"

A acessibilidade ao objeto de leitura tem de ser, por isso, o mais fácil e transparente possível. Aliás, se olharmos para o gráfico abaixo, retirado do estudo da Gfk (2016), constatamos que os portugueses, de todos os níveis etários, excepto na faixa de mais de 60 anos, apontam para a importância que tem a facilidade de acesso à leitura, o que abre a porta para novas formas de trabalhar a leitura, nas escolas, nas bibliotecas, em casa.

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Fonte: Comunidade, Cultura e Arte, 16 de março de 2018. 

Defendemos, como NG, que a leitura deve ser sempre um ato de prazer e que aquilo que é bom para uns, pode não o ser para outros. O importante é que as crianças e os jovens leiam, sobretudo ficção, pois é esta que desenvolve a capacidade de sonhar, de conhecer novos mundos, que dão azo ao uso da imaginação e alimentam a criatividade. Estas duas características são fundamentais para desenvolver o espírito crítico, a capacidade de comunicação e a empatia pelo outro.

Amigo leitor, se as nossas crianças conhecerem novos mundos, vão querer sempre melhorar o nosso. Por isso, deixem-nas ler... o que quiserem, como e onde quiserem.

Não nos esqueçamos que o mundo está em perpétua mudança e a mudança, como referia Camões, também. E aquilo que hoje é aceite como regra, rapidamente poderá deixar de o ser. Relembre-se o exemplo de Enid Blyton e outros autores, hoje considerados obrigatórios, e que, na sua época, eram vistos como menores. Ou que a leitura de banda desenhada já foi, em tempos, considerada uma forma de iliteracia e o policial um género pouco valorizado e até desprezado.

PS. Caro leitor, já pensou que, ao invés de estarmos a fomentar a leitura, podemos estar a destruí-la com listas de livros obrigatórios e recomendados? Leve o seu filho à biblioteca e deixe-o completamente livre para olhar, folhear, escolher.

Caros bibliotecários, não façam só aquisições com base em prescrições ou modas. Alarguem os vossos horizontes para assim alargar os do vosso público.

 

by influenciadores | work in progress

 

A tecnologia, parceira ou adversária?

Onde? Quando? Com quem? E como quiser!

30
Ago19

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Numa roda de amigos, demos connosco a falar dos filhos que alguns têm a estudar longe, mercê do facto de não terem tido vaga na universidade portuguesa. Uns lastimavam-se pela distância, outros contrapunham, dizendo que, de avião, estavam a poucas horas e, para nosso espanto, um casal  acrescentou que, apesar da distância, todos os dias se ligavam, via Skype, com a sua filha a estudar no estrangeiro e jantavam "virtualmente".

Esta conversa levou-nos a pensar no medo que a tecnologia suscita, por se achar que cria um fosso tremendo nas relações humanas, e recordámos o tempo em que os filhos estavam fechados nos quartos "ligados ao ecrã", só saindo para comer, após vários gritos ou um SMS ameaçador, enviado pelos pais e, quase sempre, sob ameaça de lhes tirarem o computador.

De facto, os tempos são outros e a tecnologia existe para nos servir. Muito se fala dos seus malefícios. Esquecemo-nos, frequentemente, que ela, como todas as criações humanas, tem o seu lado bom e mau, consoante o uso e o fim que lhe damos. Sempre foi assim com qualquer artefacto humano.

Sim, mas o toque humano é fundamental, dirá o nosso leitor.

As relações humanas vivem desse "estar com o outro", mas, face à mobilidade que caracteriza o nosso tempo, quer falemos dos estudos, quer da vida profissional e social, a existência da tecnologia permite-nos estar, partilhar e viver em sintonia com os outros, quando a situação que vivemos não nos permite o tal toque. Basta um clique.

A tecnologia pode, contudo, transformar-se numa adversária, quando não a sabemos usar. Quando se torna uma dependência que nos afasta do outro, da vida. Quando nos desencaminha. Quando não estamos preparados para aquilo que encontramos na Web e não processamos a informação com espírito crítico. Quando não cuidamos da nossa reputação e descuidamos a privacidade.

Bem estão os que a sabem usar em seu benefício, com conta, peso e medida. Independentemente da forma como a utilizamos, o facto é que a tecnologia marca todos os aspectos da nossa vida: como trabalhamos, como estudamos, como amamos, como nos relacionamos, como nos divertimos.

Caro leitor, ainda se lembra do martírio que era pedir uma certidão de nascimento? Renovar o bilhete de identidade, fazer qualquer transação bancária? Ainda é desse tempo? 

Indelevelmente, o mundo está a mudar. A tecnologia derrubou obstáculos, aproximou as pessoas, universalizou o acesso ao conhecimento. Se olharmos para trás, já não seremos capazes de nos imaginar sem  este mundo dominado pela inovação constante, pelo prazer de descobrir novas formas de viver. Porque, quer queiramos, quer não, vivemos de forma muito diferente.

PS.  Entrámos no carro e os olhos dirigiram-se para o ecrã à nossa frente, vimos as condições do trânsito, o melhor percurso e a hora de chegada. No banco de trás, já se criava um grupo no FaceTime para se saberem novidades da família, a todo o momento.

 

 

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Tips to Survive the First Week of Classes

Practical Guide for Parents, Students, and Teachers

29
Ago19
 

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As we wandered through a large bookstore in our city, we came across the table of practical guides and found books for all needs: how to be happy, how to be unhappy, how to laugh, how to be healthy, how to be famous, how to put on weight, how to lose weight ... and we realized that there was no guide to the emergence of the moment: the first week of classes.

Damn it dear reader!

We ran to the nearest terrace to write our tips. 

Guide for parents. 

The kids want that backpack, that computer and a new smartphone.

Take a deep breath.

My wife is asking me all the time if I have dealt with the pass, the enrollment at the language centre and at the pool.

Take a deep breath.

My son's class is the worst in the school. The kid cries and says he doesn't want to go there.

Take a deep breath.

My boss has noticed that I arrive constantly late. I still can't organize myself with the kids' school schedule. 

Take a deep breath!

Guide for students.

I hate this class. 

I want a phone like John's.

I shouldn't have let my mom buy me this horrible bag in the hypermarket.

Will I have to put up with this teacher all year long? How boring!

The food in the school cafeteria is horrible! Now I have to go eat hamburgers and sweets. 

Dear student, don't make a fool of yourself. Life is fantastic. Study!

Guide for teachers

My schedule is terrible.

I have to teach at two different schools and I have a 15-minutes break to get there.

I am in charge of a class, responsible for a project, member of a committee and various work teams.

My students must hate me, because I will not let them do what they want.

My department colleagues look at me weirdly as I suggest some innovations to use in the classroom.

Dear teacher, smile. The world is in your hands. Teach your students to live, to be free and critical citizens. Everything else will come in addition. Be happy! Only this will make your students happy!

PS. All of these tips are free. In short, take a deep breath, relativize your problems, smile and live.

 

 

 

Note: Watch the video below if you want to know the neurological processes associated with stress.

How to stay calm when you know you'll be stressed | Daniel Levitin

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Receitas para sobreviver à primeira semana de aulas

Guia prático para pais, alunos e professores

29
Ago19

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Enquanto deambulávamos por uma grande livraria da nossa capital, deparámo-nos com a mesinha dos guias práticos e constatámos que os há para todos os gostos e necessidades: para ser feliz, para ser infeliz, para rir, para chorar, para ser saudável, para ser famoso, para engordar, para emagrecer... e  foi com admiração que, na sequência da nossa última crónica "O ensino. Recomeços", nos apercebemos que não havia nenhum guia para a emergência do momento: a primeira semana de aulas.

Fónix caro leitor!

Corremos para a esplanada mais próxima para registar as nossas receitas. Assim, esperamos colmatar tão grande falha. 

Guia para os pais. 

Os miúdos querem aquela mochila, aquele computador e um novo smartphone.

Respire fundo.

A minha mulher pergunta-me, a toda a hora,  se já tratei do passe, da matrícula no instituto e no ATL, da inscrição na piscina.

Respire fundo.

A turma do meu filho é a pior do agrupamento. O miúdo chora e diz que não quer ir para a escola.

Respire fundo.

O meu chefe já reparou que chego constantemente tarde. Ainda não me consegui organizar com o horário escolar dos miúdos. 

Respire fundo!

Guia para os alunos.

Detesto esta turma. 

Quero um telefone igual ao do João.

Não devia ter deixado a minha mãe comprar-me esta mochila pirosa no hipermercado.

Vou ter de aturar este professor o ano inteiro? Que chato!

A comida no refeitório é horrível! Lá vour ter que ir comer hamburguers e vingar-me nas gomas.

Caro aluno, deixa-te de tretas que a vida é fantástica. Estuda!

Guia para os professores

O meu horário é péssimo, com imensos furos.

Tenho de dar aulas em duas escolas e tenho o intervalo de 15 minutos para lá chegar.

Sou diretor de turma, responsável por um projeto, membro de uma comissão e de várias equipas de trabalho.

Os meus alunos devem detestar-me, pois não os deixo fazer o que querem.

Os meus colegas de departamento olham-me com surpresa, quando sugiro algumas inovações para usarmos na sala de aula.

Caro professor, sorria. O mundo está nas suas mãos. Ensine os seus alunos a viver, a serem cidadãos livres e com espírito crítico. Tudo o resto virá por acréscimo. Seja feliz! Pois só assim fará os seus alunos felizes!

PS.Todos estes conselhos são gratuitos e dão as mesmas receitas que os livros na mesinha da livraria. Em suma, respire fundo, relativize os problemas, sorria e viva.

 

 

 

Nota: Veja o vídeo abaixo se quiser conhecer os processos neurológicos associados ao stress.

How to stay calm when you know you'll be stressed | Daniel Levitin

Ative as legendas em português

by influenciadores | work in progress

O Ensino. Recomeços

Retratos de uma sociedade à beira de um ataque de nervos

28
Ago19

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Com as férias a acabar, chega a altura dos habituais (re)encontros de amigos e familiares e, inevitavelmente, a conversa recai sobre o início do ano letivo, sobretudo se existem filhos em idade escolar ou profissionais do ensino. O stress de todos é evidente. 

Perguntamo-nos, caro leitor, porquê?

Da conversa, percebemos o porquê de uma sociedade à beira de um ataque de nervos. Se não vejamos.

Os filhos mais velhos estão deprimidos, perante a expetativa de não conseguirem entrar no curso superior que querem, ou, pior ainda, de terem de fazer melhorias de notas. Os pais, silenciosamente, pedem a todos os anjinhos que os miúdos vão trabalhar, pois não sabem onde vão arranjar dinheiro para pagar o quarto, mais caro do que o empréstimo da sua habitação, que pagam mensalmente, sem contar com propinas, viagens, livros e alimentação.

Os pais dos alunos que estão no ensino obrigatório percebem que a alegria que sentiram, ao saberem que teriam manuais gratuitos, se pode transformar num pesadelo e desesperam com plataformas que não entendem e com serviços administrativos que não têm respostas para lhes dar. 

Os professores, que foram chamados durante o mês de agosto à Escola - ainda há quem lhes inveje as férias? -, estão, esses sim, verdadeiramente à beira de um ataque de nervos... sem o ano ter ainda começado.

Para além de uma agenda repleta de conferências, seminários, formações, workshops (que segundo nos confidenciaram são obrigatórios), conselhos pedagógicos e de turma, reuniões de departamento e de grupos disciplinares, sem esquecer as reuniões de projetos - da saúde, da cidadania, das artes, da robótica, do desporto escolar, da rádio, da televisão, do cinema, do património, da biblioteca escolar, da saúde, da inclusão - o mais importante, que é planificar o trabalho de sala de aula, terá de ficar para ser feito pela noite dentro, ou durante o fim de semana. Contudo, como também nos disseram e toda a gente sabe, esta é a razão de ser da escola e é sempre relegada para segundo plano.

Parece-lhe normal, amigo leitor?

O que nos leva a refletir sobre o estado a que chegou a educação, que parece ter perdido o seu foco.

Que repercussões poderão advir para a sociedade, quando o professor passa a maior parte do seu tempo em reuniões ou tarefas que pouco têm a ver com o ensino e a aprendizagem?

Caro leitor, será que ninguém pensa nisto? Não estaremos a descaracterizar a Escola? 

PS. Foi preciso rir, de uma situação que se repete ano após ano, para que os nossos amigos acalmassem e gozassem, com alguma serenidade, os últimos dias de férias. E não demos hipótese a um dos nossos amigos, diretor de agrupamento, de falar da falta de funcionários, de alunos, de professores, de horas e do adiamento das obras... Ficará para uma próxima crónica.

 

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A Escola em Portugal

Tribos, turismo educacional, paliativos e a incontornável Escola da Ponte. Sobre a entrevista a J.P.

26
Ago19

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Com o ano letivo a iniciar-se e as escolas e os seus atores a "movimentarem-se" para fazerem face aos "novos desafios", que de novo terão pouco mais do que a burocracia, a leitura da entrevista feita pela jornalista do Observador, Ana Kotowicz, a José Pacheco, leva-nos a refletir sobre o atual momento que vive a Escola. 

Escolhemos três aspetos da entrevista que melhor caracterizam o estado da arte da educação, em Portugal.

As tribos, enquanto conjunto de pessoas unidas pela língua, pelos costumes, instituições e tradições, são notórias, quer a nível macro - as tribos PPIP (projeto-piloto de inovação pedagógica), as tribos com Flexibilidade Curricular e as tribos sem Flexibilidade Curricular - quer a nível micro - as tribos dos que utilizam tecnologia, as dos que não utilizam, as tribos dos defensores de metodologias ativas, a tribo dos clássicos, puros e tradicionais. E ainda existem as tribos dos yes man do diretor, sem falar dos diretores yes man do ministério, e a tribo dos perseguidos, que, ou por fatalidade caíram em desgraça junto dos órgãos de gestão, ou porque são críticos aguerridos e questionam decisões com as quais não concordam.

O turismo educacional, com origem na Escola da Ponte, tem-se alargado a todo o país, não fosse Portugal um destino turístico por excelência, e é ver os turistas, ministros, secretários de estado, presidentes de câmara, vereadores, diretores, chefes de gabinete a rumarem a cada uma destas escolas, mostrando o que de excelente aí se faz e que deixa boquiabertos os nativos por não saberem das qualidades da sua escola, ou porque nunca utilizaram, nem sabem como o poderiam fazer, os equipamentos que tão ilustres convidados vêm ver, em romaria.

Isto, caro leitor, para não entrar em modo de sala de aula do futuro ou ambientes inovadores educativos, porque só isso daria uma nova crónica.

Os paliativos, caixas de socorro, cuja utilização todos os governos promovem, aquando da publicação de orientações, referenciais, decretos, despachos, normativos, aditamentos, esclarecimentos... e às quais as escolas recorrem, o melhor que podem e sabem, para implementar programas políticos.

E é ver os paliativos a serem usados... para criar turmas de nível, de ninho, heterógeneas, homógeneas, de ciclo... para implementar projetos, hortas pedagógicas, yoga, meditação, jogos tradicionais, feiras medievais, salas de aula do futuro... E não queremos entrar em detalhe sobre a cidadania, feita à pressão, nalguns minutos semanais, com professores escolhidos a dedo, que depois dão conta do progresso dos alunos, com uma cruz nas grelhas em Excel, feitas à medida do professor responsável, que fica com o peso nos ombros de avaliar o grau de cidadania de cada um dos alunos. E, se cai na tentação de pedir a opinião dos restantes professores da turma, estes lembram-lhe de imediato que ele é que é o especialista e é que está com eles na sala de aula.

É caso para citar, caro leitor, José Pacheco: "Só duas horas? No resto do tempo o aluno não é cidadão?".

PS. Caro leitor, fique ciente de que o Fónix Lab vai sair para a estrada, em modo "turismo educacional", munido de um bom smartphone, para lhe dar conta de situações fónix nas escolas em Portugal. Com sorte, ainda nos cruzamos com alguns notáveis. 

PS2. Excecionalmente deixamos este post scriptum para louvar todos os educadores e recordamos a crónica que lhes dedicámos: Professores | O nosso filho quer ser professor. Socorro!

 

 

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