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Fónix Lab

Laboratório para exprimir (opiniões) admiração, indignação ou impaciência, em torno de temas atuais.

Fónix Lab

Laboratório para exprimir (opiniões) admiração, indignação ou impaciência, em torno de temas atuais.

A Escola em Portugal

Tribos, turismo educacional, paliativos e a incontornável Escola da Ponte. Sobre a entrevista a J.P.

26
Ago19

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Com o ano letivo a iniciar-se e as escolas e os seus atores a "movimentarem-se" para fazerem face aos "novos desafios", que de novo terão pouco mais do que a burocracia, a leitura da entrevista feita pela jornalista do Observador, Ana Kotowicz, a José Pacheco, leva-nos a refletir sobre o atual momento que vive a Escola. 

Escolhemos três aspetos da entrevista que melhor caracterizam o estado da arte da educação, em Portugal.

As tribos, enquanto conjunto de pessoas unidas pela língua, pelos costumes, instituições e tradições, são notórias, quer a nível macro - as tribos PPIP (projeto-piloto de inovação pedagógica), as tribos com Flexibilidade Curricular e as tribos sem Flexibilidade Curricular - quer a nível micro - as tribos dos que utilizam tecnologia, as dos que não utilizam, as tribos dos defensores de metodologias ativas, a tribo dos clássicos, puros e tradicionais. E ainda existem as tribos dos yes man do diretor, sem falar dos diretores yes man do ministério, e a tribo dos perseguidos, que, ou por fatalidade caíram em desgraça junto dos órgãos de gestão, ou porque são críticos aguerridos e questionam decisões com as quais não concordam.

O turismo educacional, com origem na Escola da Ponte, tem-se alargado a todo o país, não fosse Portugal um destino turístico por excelência, e é ver os turistas, ministros, secretários de estado, presidentes de câmara, vereadores, diretores, chefes de gabinete a rumarem a cada uma destas escolas, mostrando o que de excelente aí se faz e que deixa boquiabertos os nativos por não saberem das qualidades da sua escola, ou porque nunca utilizaram, nem sabem como o poderiam fazer, os equipamentos que tão ilustres convidados vêm ver, em romaria.

Isto, caro leitor, para não entrar em modo de sala de aula do futuro ou ambientes inovadores educativos, porque só isso daria uma nova crónica.

Os paliativos, caixas de socorro, cuja utilização todos os governos promovem, aquando da publicação de orientações, referenciais, decretos, despachos, normativos, aditamentos, esclarecimentos... e às quais as escolas recorrem, o melhor que podem e sabem, para implementar programas políticos.

E é ver os paliativos a serem usados... para criar turmas de nível, de ninho, heterógeneas, homógeneas, de ciclo... para implementar projetos, hortas pedagógicas, yoga, meditação, jogos tradicionais, feiras medievais, salas de aula do futuro... E não queremos entrar em detalhe sobre a cidadania, feita à pressão, nalguns minutos semanais, com professores escolhidos a dedo, que depois dão conta do progresso dos alunos, com uma cruz nas grelhas em Excel, feitas à medida do professor responsável, que fica com o peso nos ombros de avaliar o grau de cidadania de cada um dos alunos. E, se cai na tentação de pedir a opinião dos restantes professores da turma, estes lembram-lhe de imediato que ele é que é o especialista e é que está com eles na sala de aula.

É caso para citar, caro leitor, José Pacheco: "Só duas horas? No resto do tempo o aluno não é cidadão?".

PS. Caro leitor, fique ciente de que o Fónix Lab vai sair para a estrada, em modo "turismo educacional", munido de um bom smartphone, para lhe dar conta de situações fónix nas escolas em Portugal. Com sorte, ainda nos cruzamos com alguns notáveis. 

PS2. Excecionalmente deixamos este post scriptum para louvar todos os educadores e recordamos a crónica que lhes dedicámos: Professores | O nosso filho quer ser professor. Socorro!

 

 

by influenciadores | work in progress

Ler ou ouvir? Como aprendemos melhor?

A utilização de recursos áudio em contexto educativo

25
Ago19

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Estudos recentes mostram-nos que ler ou ouvir ativam as mesmas áreas no cérebro, processando informação semântica similar, o que pode contribuir de forma significativa para a alteração das estratégias pedagógicas utilizadas pelos professores e até pelos pais.

Esta conclusão é apresentada no Journal of Neuroscience  e coloca em lugar de destaque os audiobooks, os podcasts e os textos áudio, com repercussões significativas na motivação dos alunos que não gostam de ler.

Este estudo comprova o que muitos professores já fazem de forma empírica. Isto é, favorecem o contacto com o livro e com a leitura através de recursos variados. É interessante verificar que os próprios alunos, quando têm de ler uma obra de leitura integral,  utilizam assistentes de leitura para ouvirem o texto, enquanto caminham, nalgumas aulas sem que o professor se aperceba, quando repousam, durante as refeições, aumentando a velocidade de leitura nas partes menos interessantes, o que reduz de forma significativa o tempo de leitura.

Dirá o amigo leitor que vivemos numa sociedade do imediatismo e do menor esforço...

De facto, este é o nosso mundo hoje e a Escola não deve virar-lhe as costas, mas, antes, ser capaz de integrar os recursos que os jovens utilizam no seu dia a dia e que poderão transformar-se em poderosas ferramentas de aprendizagem. Os podcasts e vídeocasts que acompanham os jovens ao longo do dia, podem, e devem, desta forma, ser utilizados em contexto educativo.

Concorda connosco, caro leitor?

Recordamos um estudante que lia os apontamentos, gravava-os e depois ouvia-os de forma repetida, o método, que se revelou eficaz, foi depois repetido pelos colegas de turma e um dos professores, apercebendo-se das potencialidades deste método de estudo, criou um Podcast da turma, onde os alunos publicavam e partilhavam os seus resumos.

PS. O que fazemos? Ignoramos novas formas de ensinar e aprender, validadas por estudos e comprovadas em situação real, ou abraçamos as potencialidades que a tecnologia põe ao nosso dispor?

 

 

by influenciadores | work in progress

Professores

O nosso filho quer ser professor. Socorro!

25
Ago19

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Esta tarde, enquanto assistíamos ao primeiro clássico da liga, entre o Benfica e o Porto, em casa de uns amigos, fomos surpreendidos pelo desabafo sofrido do casal anfitrião, que nos deu conta de um acontecimento verdadeiramente Fónix, no seio da sua família.

Não é que o filho mais novo, Vicente, de 9 anos, lhes disse, eufórico, que queria ser professor?!

A tragédia abateu-se naquela fatídica noite, sobre aquela família.

Professor? Já pensou, caro leitor? 

Ainda se fosse político ou banqueiro, isso sim, são profissões de futuro, sem risco e com reforma garantida!

Vejamos os riscos que o pequeno Vicente corre, se seguir o seu sonho, num país como Portugal:

1.º A instabilidade profissional acompanhá-lo-á anos a fio.

2.º Mal pago, sem carreira e sem progressão.

3.º Os currículos, sempre em alteração, implicam a necessidade contínua de se atualizar em função de opções políticas e não pedagógicas.

4.º A carga burocrática e administrativa vai esmagá-lo, matando-lhe, pouco a pouco, o sonho.

5.º O contacto com pessoas que acham que sabem mais do que ele, verdadeiros especialistas em educação, que querem mandar na sala de aula. Os pais.

6.º Mal representados pelos sindicatos, mais dispostos a defenderem os seus próprios interesses e os da central a que pertencem, do que a lutarem pelos direitos da classe, que tão mal representam, condenando-a a derrotas sucessivas.

7.º A vergonha de assumir que é professor, símbolo de um profissional mal pago e mal visto socialmente, arrasado, constantemente, pelos políticos de todos os quadrantes.

Lembra-se de mais alguma razão, caro leitor? Não deve ser difícil.

Esquecemo-nos, contudo, que, enquanto sociedade, é na Escola que tudo começa, pelo que o professor deve ser visto como modelo, ser respeitado.

Acreditamos que é fundamental evoluir neste sentido e restaurar o prestígio desta classe para que possamos ter uma verdadeira democracia, seguindo o exemplo de outros países.

Poderíamos enumerá-los, caro leitor, mas estamos certos que os conhecerá.

Os estudos mostram-nos que, quanto mais prestigiada é a educação, melhores são os resultados económicos e sociais, com repercussões na qualidade de vida dos Estados.

Os políticos sabem-no, mas preferem ignorar esta realidade, pois têm outras prioridades, mais imediatas, e, por isso, afastam-se do bem comum. 

Lembra-se de termos refletido sobre este assunto na crónica dedicada aos Políticos?

Felizmente, os professores são uma classe resiliente, que, apesar de tão mal tratada, tem sabido manter as escolas a funcionar, nalguns casos, com malabarismos, só possíveis a quem se entrega de corpo e alma à sua profissão. De facto, o bom professor sabe que tem de agir autonomamente, relevando a política errática para o lugar que lhe cabe.

PS. Aconselhámos os nossos amigos, dizendo-lhes que, ao ritmo a que a classe docente envelhece, sem a necessária renovação, perto está o tempo em que os políticos terão que "dar o dito por não dito", métier em que são peritos, e valorizá-la.

Sossegaram...

 

 

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Os Aniversariantes

(In)discretos? Qual é o seu caso?

20
Ago19

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O Facebook teima em anunciar-nos as datas de aniversário de todo um povo que habita a nossa Rede, com alguns requintes de malvadez, como quando nos pede que ajudemos uma qualquer organização benemérita, como forma de presentear o amigo, que, na maior parte dos casos, nem sequer conhecemos.

E, para espanto dos mais incrédulos, a taxa de utilizadores destas novas formas de marketing direto, é cada vez maior, fruto  da dependência crescente que cria junto dos Facebookianos. Esta situação, para deleite dos "donos" do Facebook,  aumenta de forma exponencial o seu volume de negócios. E lá vamos vendo o número de donativos aumentar e os agradecimentos do aniversariante que, perante tão nobre missão, se vê obrigado a passar o seu dia de anos agarrado à Rede, para agradecer, em tempo real, cada euro obtido, gabando-se da tão grande notoriedade junto dos seus seguidores.

É indiscreto ou discreto, caro leitor?

Do outro lado desta realidade, encontramos os verdadeiramente discretos, isto é, aqueles que vivem em sobressalto, com receio que algum amigo, ou, por magia, o próprio Facebook, divulgue tão bem guardado segredo. 

PS. Quando toca aos aniversariantes, não há (in)correto, apenas formas de ser e viver na Rede com (in)discrição. Parabéns a todos os aniversariantes!

 

 

by influenciadores | work in progress

Os Insatisfeitos

Season I - Os veraneantes | Só estou bem aonde não estou

19
Ago19

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O lançamento do novo filme de João Maia, "Variações" (dia 22, quinta-feira), e a observação das pessoas que povoam o sul do país neste período de férias, leva-nos a dissertar sobre uma nova categoria humana. Os Insatisfeitos, tão bem representados por António Variações, ao longo da sua vida, sempre em busca do que não tinha, aliás como ele faz notar na canção "Estou além", que poderá ver e ouvir no final desta crónica.

Esta busca incessante faz-nos lembrar o ritual dos veraneantes, ao início da manhã e ao final da tarde, que, em fila, vão e vêm da praia, com ar infeliz, carregado e carregados! Com chapéus, chapéus de sol, cadeiras, geleiras, sacos de toalhas, filhos pela mão, cães pela trela e a sogra atrás. Fónix, que cansaço!

Para não falar já da trabalheira para estacionar o carro, sempre que a família exige um passeio a uma praia, a um restaurante, a um miradouro, ou uma festa popular, onde se podem tirar umas fotos à maneira, que comprovem a nossa passagem por ali. Como se isto não bastasse, chegados ao local onde estamos alojados, inicia-se uma nova luta, encontrar a tão desejada sombrinha para o veículo. Apetece ir de férias?!

Já passou por isto, caro leitor?

O que nos move, ano após ano, a seguir este ritual? Será que só estamos bem onde não estamos? Esta condição de insatisfação levar-nos-á a passar por isto?

PS. Chegados a casa, pomos o nosso melhor sorriso, condicente com o bronzeado, e vendemos a ideia de umas férias paradisíacas e prazerosas. O que condiz com as fotos tiradas a preceito e divulgadas em todas as redes sociais em que estamos presentes. Que grandes férias! Fónix, que saudades!

 

 

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Os Políticos

Uma espécie em extinção

18
Ago19

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Não nos é grato escrever, PENSAR, sobre política, mas as circunstâncias, a realidade, obrigam-nos.

"Em política o que parece é". Os políticos (re)conhecem esta máxima melhor do que ninguém ou, como diziam já os nossos avós, sabiamente, "não há fumo sem fogo!"

A política devia ser a mais nobre das ciências humanas.  O  termo tem origem no grego politiká, derivado de polis, que designa o que é público, e tikós, que se refere ao bem comum de todas as pessoas. Em suma, a política é a ciência que se preocupa com o bem dos cidadãos.

Atentos a esta definição, em Portugal, não se vislumbram políticos. Talvez seja uma espécie em extinção.

Concorda, caro leitor?

Se não, vejamos o que norteia o Político português.

Uns fazem de tudo para se manterem no poder, não praticam a "política". Respondem a emergências, asseguram cargos, alimentam o interesse de grupos, visando, em primeiro lugar, a manutenção do poder.

O que contraria, de forma flagrante,  o princípio mais nobre da política: governar para todos.

Na oposição...

Amigo leitor, onde está a oposição?

Está de tal forma ausente, que não se dá por ela, o que é gravíssimo e mina os pilares de qualquer democracia. 

Os cidadãos sentem-se órfãos, pois não são representados por ninguém. Mesmo os que apoiam o poder, quando Pensam, constatam o jogo de interesses e os vícios que norteiam a classe política. 

Os simpatizantes da oposição, certamente, não se revêm no silêncio cúmplice dos que deveriam defender a sua ideologia.

Os Media desempenham um papel importantíssimo em tudo isto, porque dão voz ao Político.

Estarão manietados pelo poder Político e económico? Onde está o jornalismo que se rege pela verdade dos factos? O que pensa o leitor?

Afligem-no, certamente, caro leitor, as leituras políticas de pseudo especialistas (profissionais do "achismo") que de tudo falam nos media, mas não acrescentam nada.

Sentimo-nos impotentes. Este estado de coisas enfraquece a democracia, debilita o estado de direito. Mais preocupante, todavia, do que ter os ditos Políticos a "governar as suas casas",  é o impacto que se repercute nos nossos jovens, já visível na Geração Z, os que começaram agora a votar, que se mostram completamente desinteressados, diriamos mesmo, politicamente desligados.

Caro leitor, já pensou que a sua vida está nas mãos destes senhores?

PS. Voltemos a Aristóteles. Centremo-nos no que é essencial, isto é, orientar a política para o interesse dos cidadãos.

 

 

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The Lovers

Today you were stunning, Woman!

17
Ago19
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I reach the meeting point, the usual hotel, with a smile on my face... we haven't seen each other in 15 days. I miss  the touch of the skin, the warm kiss.

I see her and smile. I'm tired, I had just been with Madalena. Today she was blind with passion. I'm going to invite Maria for a drink at the hotel bar, so I take a deep breath in. Isn't that weird? But I need some time to compose myself.

He kisses me and, strangely, invites me over for a drink. I was surprised, but disguised it. I say yes, but thoughts take over me... what will he have to tell me?

I see her, I feel her apprehensive, what is going through her head? Possibly the fact that we have the time counted. I hug her tenderly and direct her to the bar.

Dear Reader, this is a story that is certainly familiar to you, as it describes the secret life of many Marias and many Carlos.

The taste of conquer has already led him to intimacy with many women. Maria was seduced by the moves, first timid, then spicy, of Carlos, who she met on Facebook. At home, both have their spouses and children waiting for them.

They do not want to endanger their home, their family, but the taste of conquer, the illusion created by the ephemeral pleasure of a few hours, in which they surrender without thinking about anything else, completely overwhelms them.

Why does this happen, dear reader?

Due to fading marriages, relationships that become hollow ... or is it because of a society that sells us "the lovers"? On dating sites, in luxury motels, willing to reproduce stereotypes, mimicking the love and futile life of celebrities.

Although we complain, we have never had so many material possessions, which we accumulate unnecessarily, tryingto fill in the blanks of our lives.

What is missing, dear reader?

Dissatisfaction leads us to seek... incessantly. That is why, many times, we focus on the other, because it spices up our lives. 

The seduction process was trivialized with the boom in mobile communications and the advent of virtual messaging. We write the things that we would never have the courage to say face to face. Flirting with sms, with emojis, exchanging photos... it's what we call sexting. It's the result of the impact of social networks.

You are certainly smiling, dear friend, because this is a practice that, think well, is not unfamiliar to you.

These secret lives, because of their danger, give meaning to life, due to the pleasure, the risk, the desire, in the incessant pursuit of what we lack, which is nothing! That's why they also take the meaning out of our lives.

Contradictory, yes, dear reader.

PS. Maria and Carlos went up to the hotel room. They both knew it was the last time. In the list, they already have other probable Lovers. Both knew it. The cycle has restarted.

 

 

 

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Os Amantes

Hoje estavas deslumbrante, Mulher!

17
Ago19

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Chego ao ponto de encontro, o hotel habitual. Sorriso estampado no meu rosto... já não nos vemos há 15 dias. Saudades, misturadas com desejo. Vontade do toque da pele, do beijo quente que tudo inicia.

Vejo-a e sorrio. Estou cansado, acabei de estar com a Madalena. Hoje, estava cega de paixão. Vou convidar a Maria para um copo no bar do hotel e assim ganho algum fôlego. Será que não estranha? Mas preciso de algum tempo para me recompor.

Beija-me e, estranhamente, convida-me para irmos beber um copo. Fico surpreendida mas disfarço. Digo que sim, mas os pensamentos tomam conta de mim... o que terá para me contar?

Vejo-a, sinto-a apreensiva, o que lhe estará a passar pela cabeça? Possivelmente o facto de termos o tempo contado. Enlaço-a ternamente e encaminho-a para o bar.

Caro Leitor, esta é uma história que lhe é, certamente, familiar, pois relata a vida paralela de muitas Marias e muitos Carlos deste mundo.

O gosto pela conquista já o levou à intimidade com muitas mulheres. Maria deixou-se seduzir pelos avanços, primeiro tímidos, depois picantes, de Carlos que conheceu no Facebook. Em casa, ambos têm à sua espera os respetivos cônjuges e os filhos.

Não querem pôr em perigo o lar, a família, mas o gosto pela conquista, a ilusão criada pelo prazer efémero de algumas horas, em que se entregam sem pensar em mais nada, domina-os por completo.

Por que é que isto acontece, amigo leitor?

Devido a casamentos que esmorecem, relações que se tornam ocas... ou por culpa de uma sociedade que nos vende "os amantes"? Nos sites de encontros, nos motéis de luxo, na vontade de reproduzir estereótipos, imitando a vida amorosa e fútil das celebridades.

Apesar de nos queixarmos, nunca tivemos tantos bens materiais, que acumulamos, sem necessidade, tentando preencher uma insatisfação que teima em não desaparecer. 

O que nos falta, amável leitor?

A insatisfação leva-nos a procurar... não sabemos bem o quê, de forma incessante. Por isso, inúmeras vezes, fixamo-nos no outro, porque isso nos apimenta a vida. 

O processo de sedução banalizou-se com o boom das comunicações móveis e o advento das mensagens virtuais. Diz-se, por escrito, o que nunca teríamos coragem para dizer olhos nos olhos. Flirta-se por sms, com emojis, trocam-se fotografias... é o sexting que se massifica, fruto do impacto das redes sociais.

Certamente, o amigo leitor está a sorrir, pois é uma prática que, pense bem, não lhe é desconhecida.

Estas vidas paralelas, pelo perigo de que se revestem, dão sentido à vida, pelo prazer, pelo risco, pelo desejo, na busca incessante daquilo que nos falta, que não é nada! Por isso também nos tiram sentido à vida.

Paradoxal, sim, caro leitor.

PS. Maria e Carlos subiram ao quarto do hotel. Ambos sabiam que era a última vez. Na lista têm já outros prováveis Amantes. Ambos o sabem. Reinicia-se o ciclo.

 

***

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Os Especialistas

Fónix, eles sabem tudo!

16
Ago19

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Sentados em frente ao pequeno ecrã, damos connosco a enumerar, em tom jocoso, a quantidade de especialistas que gravitam e ganham (a) vida, no sentido figurado e literal, tirando partido da notoriedade que lhes é dada pelos meios de comunicação. Falamos dos comentadores políticos.

E qual a especialidade destes comentadores? A maior parte deles são advogados mais ou menos ilustres, que passaram pela política e, desta forma, se mantêm na ribalta.

O caso concreto que nos suscita esta reflexão é o tema do momento, a declarada crise energética que espelha a situação que carateriza Portugal nos dias que correm e que reflete uma profunda crise de valores, com repercussões muito acentuadas no "pequeno trabalhador",sempre dependente do poder patronal e político para sobreviver.

E serão estes comentadores especialistas também nesta área? - pergunta-se, e bem, o nosso amável leitor.

Vivemos na era da informação e temos acesso à mais completa biblioteca do mundo, onde a resposta a todos os mistérios pode ser encontrada facilmente. A Web.

O acesso a essa informação dar-nos-á o conhecimento necessário para nos “transformar” em especialistas, em qualquer área, num piscar de olhos?

Não estaremos iludidos, achando que temos conhecimento, quando, no fundo, apenas temos dados que pesquisamos, de acordo com os nossos objetivos e até crenças e, por isso, apenas valorizamos aquilo que queremos ler, ouvir, ou que nos dá mais jeito?

Até aqui estamos de acordo, caro leitor? Certo?

Este assunto levou-nos até uma leitura, feita há algum tempo atrás, do livro do especialista, este sim, Tom Nichols, “A morte da competência – os perigos da campanha contra o conhecimento estabelecido", da Quetzal. Vejamos, a título de exemplo, o que diz o autor, a este propósito. “Os ataques ao conhecimento e à cultura levam à convicção irracional de que qualquer um - depois de frequentar os fóruns da Internet - é tão inteligente e tão bem preparado como um perito para discutir seja que assunto for. As pessoas acreditam que ter direitos políticos iguais significa que a opinião do cidadão comum vale tanto como a de um especialista.”

Este, caro leitor, é o retrato vivo dos comentadores que vemos, diariamente, nos nossos ecrãs.

Não há assunto que não dominem. Parecem estar acima do comum dos mortais, tal o saber com que se pavoneiam, quando, como sabe o esclarecido leitor, se limitam a debitar suposições e opiniões, com base em leituras que utilizam para justificar o que querem dizer, ou seja para manipular os mais incautos.

Toda esta situação faz-nos lembrar a imagem do copo meio cheio ou meio vazio, consoante se é, ou não, o dono da casa.

PS. Fónix! Em vez de falar em copos, vamos mas é beber um.

 

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Agarrados ao ecrã

Desliga-te, Fónix!

15
Ago19

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No areal, entre banhos na água fria e uma caminhada prolongada, a conversa levou-nos para um tema cada vez mais recorrente no mundo atual.

A dependência dos ecrãs.

Basta levantar o olhar para verificarmos que a maioria dos veraneantes vive agarrado ao ecrã. Ora uns, ora outros, todos.

Lembrámo-nos de um casal amigo e do desabafo da Maria, falando do companheiro, "Este homem, sempre que me viro na cama, está agarrado ao ecrã." e acrescenta "Eu não me atrapalho e agarro-me ao meu". E assim vivem, juntos, mas separados.

O que pensa disto, amigo leitor?

Acreditamos que a nossa sociedade está a intensificar este problema, com consequências, que ainda não conseguimos prever, nas relações humanas.

É recorrente encontrar nos restaurantes, cafés e, até nos bares, pela noite dentro, crianças agarradas ao ecrã, enquanto os pais comem ou bebem um copo, sem largar de vista o pequeno aparelho.

Este pensamento leva-nos de volta ao casal amigo que, ao invés de apreciar os momentos que a vida lhes proporciona, os gravam para partilhar ou transmitir em direto nas redes... mais preocupados em mostar (-se) do que em viver.

É aqui que estamos e assim que somos, gentil amigo.

Somos uma ilusão para o outro, feita de imagens postadas de sítios onde nunca fomos e de gostos de gente que não conhecemos.

Somos uma sociedade agarrada ao ecrã.

E se o Humano é aquilo que sente, o que vê, o que vive, então, caro leitor, será que somos isto? Cada vez mais uma ilusão?

E os nossos jovens, que crescem com este modelo, no que se tornarão?

Fónix! Vivemos numa sociedade do 8 ou do 80! Este paradoxo espanta-nos, pois temos tudo ao alcance de um clique, mas tudo perdemos, enredados na doce ilusão que nos move. 

O pôr do sol atrai a nossa atenção. Lindo! 

Fónix! Pegamos no telemóvel, levantamo-nos, acercamo-nos da ria e pimba! Já está! Postamo-la de imediato e... venham os gostos e os comentários!... Que maravilha!

PS. Fónix! Estamos agarrados!

 

 

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