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Fónix Lab

Laboratório para exprimir (opiniões) admiração, indignação ou impaciência, em torno de temas atuais.

Fónix Lab

Laboratório para exprimir (opiniões) admiração, indignação ou impaciência, em torno de temas atuais.

O papel da empatia

Na escola, na vida e até... na política

05
Out19

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Hoje, invariavelmente, uma notícia domina os Media, decorrente de um incidente no último dia da campanha eleitoral para as legislativas. E é ver opiniões e tomadas de posição tão diferentes perante um acontecimento que, dificilmente, poderá ter várias leituras, pois foi gravado e amplamente divulgado.

Caro leitor, o que provocará nas pessoas sentimentos e reações tão díspares? Será por culpa da empatia ou da falta dela?

Este tema levou-nos até uma entrevista feita à investigadora portuguesa Diana Prata, na Life. Esta investigadora reflete sobre a importância que assume a empatia, e os processos neurológicos a si subjacentes, na relação com os outros, isto é, a capacidade de perceber a intenção do outro - empatia cognitiva - ou do que está a sentir - empatia emocional.

Amigo leitor, o que levará, efetivamente, cada um de nós, a tomar um dos partidos?

Esta questão da empatia é muito interessante e os contributos da ciência ajudam a encontrar resposta para alguns fenómenos como o bullying ou a perda de capacidade de cooperar com o outro.

O contributo destes estudos não pode ser descurado, pois a neurociência, aplicada à educação, abre um mundo de oportunidades que os educadores não podem desperdiçar, uma vez que permite justificar as práticas pedagógicas, tendo em conta a forma como o cérebro funciona, o que as torna mais eficientes.

Caro leitor, não podemos deixar de citar José Ramón Gamo, "o cérebro precisa de se mexer para aprender". Façamos a vontade ao cérebro. E como fazê-lo?

Mudando as metodologias de ensino, apostando na utilização do som, da imagem, e até da arte, em atividades que impliquem a participação e o trabalho colaborativo do aluno, pois, como nos dizem os investigadores, o cérebro é um órgão social que aprende com os outros. O que nos faz regressar à empatia e à emoção. Provoquemos os nossos alunos, com mensagens que os emocionem e que criem a oportunidade para desenvolver aprendizagens significativas.

Caro leitor, não acha que as escolas deveriam mudar de paradigma para inovar realmente, em vez de continuarem com pequenos paliativos  - aquisição de alguma tecnologia, redistribuição dos alunos de forma diferente, reorganização temporal do calendário escolar?

Para inovar, temos de ousar e fazer  alterações de fundo, nomeadamente no que respeita às metodologias que são usadas em sala de aula, pelo que não podemos passar ao lado dos contributos da neurociência.

PS. Mas voltemos ao incidente da campanha eleitoral, a verdade é que com empatia ou sem ela, se tornou num momento viral, delicioso de seguir nas redes sociais...

 

by influenciadores | work in progress

A manipulação dos Media

A Era da DesInformação: Relatório da Universidade de Oxford

28
Set19

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Em época de campanha eleitoral, em que casos e notícias estapafúrdias inundam os Media, deparámo-nos com uma notícia sobre um relatório da Universidade de Oxford que investigou a forma como a propaganda cibernética se converteu numa ferramenta de manipulação.

Caro leitor, mortos de curiosidade, fomos saber mais.

O relatório, intitulado "The Global Disinformation Order: 2019 Global Inventory of Organised Social Media Manipulation", analisa 70 países e conclui que, destes, 56, ou seja 80%, utilizam os Media, sobretudo o Facebook, para propaganda política, sendo que é esta a rede predileta para a manipulação dos cidadãos.

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Caro leitor, convenhamos... é óbvia a escolha do Facebook, pois é esta a plataforma social com mais utilizadores (2 410 milhões de utilizadores mensais, de acordo com dados do próprio Facebook). Em cada um dos 70 países, pelo menos um partido político ou uma agência governamental usa os Media para moldar a opinião pública.

Em 26 países, sobretudo nos regimes mais autoritários, a propaganda cibernética é utilizada como ferramenta de controlo de informação, com três objetivos principais:

1º Suprimir direitos humanos fundamentais;

2º Desacreditar os opositores políticos; 

3º Abafar opiniões divergentes.

Assustador, não é caro leitor? Agora imagine a utilização cada vez mais eficaz da Inteligência Artificial, da Realidade Virtual e da Internet das Coisas para moldar a sociedade e as políticas. Que grandes desafios se colocam à nossa democracia!

O estudo alerta, também, para as campanhas de desinformação que são cada vez mais usuais, sobretudo através do WhatsApp. Dados relativos a grandes players mundiais, como a China, apontam para uma utilização agressiva do Facebook, Twitter e Youtube para manipular a opinião pública e influenciar uma audiência cada vez mais global.

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Preocupa-nos que uma das conclusões deste estudo seja o aumento previsível da utilização dos Media para a comunicação política.

Mas, amigo leitor, se a comunicação política tem subjacente a manipulação das massas, não deve isto tirar-nos o sono?

Qual o impacto que terão os Media na sociedade? Serão um espaço público para a democracia, ou, pelo contrário, servirão apenas para amplificar conteúdos que mantêm os cidadãos viciados, mal informados e irritados?!

PS. Não podemos terminar sem citar uma das consequências apresentadas no relatório. Os Media, que já foram considerados um exemplo de liberdade e democracia, são hoje, cada vez mais, o rosto de uma sociedade desinformada, o que contribui para o aumento da violência e para uma desconfiança generalizada nos Media e nas próprias instituições democráticas.

Fónix! Palavras para quê?!

 

by influenciadores | work in progress

 

Fónix! Então já não é preciso ter um curso superior?

A era da desinformação e a importância do Conhecimento

23
Set19

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O dia hoje não começou bem!

A consulta habitual das redes sociais, ainda no lusco-fusco, em busca das últimas notícias, deixou-nos atónitos! 

Já não bastavam as fake news (já não se pode ouvir falar deste "bicho papão"), para agora aparecerem os fake books!

Caro leitor, que delícia para os ativistas militantes! Já devem estar a esfregar as mãos!

No início, nem percebemos bem o que poderia ser isto! Mas, uma leitura mais atenta do artigo, mostrou-nos que os livros falsos são inclusivamente vendidos pela maior empresa online de distribuição de livros, a Amazon.

Que mais fakes aparecerão para abalar o nosso mundo, amigo leitor? Vivíamos tão bem com as imitações de roupa e malas de marca que comprávamos nas feiras!

Ainda abalados pela notícia da Amazon, aparecem-nos outros grandes players, em grandes parangonas e em vários media: "Google, Apple e IBM já não pedem diploma universitário nas suas vagas de emprego".

O quê!!? O quê!!?

Relemos e voltamos a ler o título! Não havia dúvidas! E andamos nós a hipotecar-nos para pagar o "cursinho" superior aos nossos filhos! 

Com estas novidades a martelarem-nos o cérebro, decidimos desabafar nesta crónica, mas a discussão em torno dos verbos "ter" ou "tirar" fez-nos divergir. 

Afinal, caro leitor, os cursos têm-se ou tiram-se?

Vejamos... uns tiram o curso, outros compram o curso, mas ainda há aqueles a quem lhes tiram o curso que tinham. Tinham... mas nunca tiraram...

Que confusão, gentil leitor...

Afinal vivemos no mundo em que tudo pode ser fake.

PS. A educação é fundamental, agora mais do que nunca, para fazer face a esta era da desinformação em que a vantagem social, cultural e até financeira está no conhecimento. Cabe à escola educar os alunos para os Media, para que possam, de forma crítica, validar fontes de informação. É esta capacidade que faz e fará cada vez mais a diferença no mundo do trabalho e na sociedade.

 

Socorro! As bibliotecas estão vazias!

Os rituais de uma biblioteca escolar descritos pelos jovens

21
Set19

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A crónica de hoje nasce de uma conversa ouvida numa paragem de autocarro. Está impossível andar de carro em Lisboa, os políticos apropriaram-se do espaço público e o cidadão está sempre a pagar... por isso passámos a usar os transportes públicos. Mas a esperança é a última a morrer e agora com a promessa dos políticos de baixa de impostos e aumento de ordenados, vamos, finalmente, poder voltar ao conforto do carro.

Mas, caro leitor, não nos dispersemos... 

Na paragem, duas senhoras, que percebemos que eram professoras, falavam sobre as estratégias que deviam implementar para levar os alunos à biblioteca. E falavam de coisas estranhas como referenciais, modelos, guiões de pesquisa, big... qualquer coisa (não nos lembramos do tamanho do big), catalogação, indexação... ficámos exaustos... parecia a bula de um medicamento...

Mas ficámos, sobretudo, pasmados!...

O leitor sabia que ainda há bibliotecas escolares?

Questionámo-nos pelo facto dos nossos filhos nunca nos terem falado de tal tesouro no século XXI! Chegados a casa, foi com satisfação que encontrámos os nossos filhos a trabalhar com um grupo de colegas. E confrontámo-los, de imediato, com a nossa ignorância, pois nunca nos tinham falado de tal coisa. E, para maior espanto, ficámos a saber que para além da biblioteca existe um professor bibliotecário!

Extraordinário, caro leitor! As coisas que os nossos filhos nos escondem!

Mas ficámos preocupados pela imagem que os jovens têm da biblioteca, que, nas suas palavras, não frequentam, por ser um espaço pouco dinâmico e cheio de regras. Dizem, ainda, que para encontrar o que precisam basta-lhes ir à internet, porque é mais rápido e, sobretudo, mais eficaz. E acrescentaram ainda, que assim evitam a seca de... veja bem caro leitor!

1º Preencher uma folha com os seus dados e com aquilo que vão fazer na biblioteca;

2º  Procurar, seguindo as orientações da diligentíssima funcionária, sob o olhar atento da professora bibliotecária, os termos de pesquisa no catálogo;

3º Seguir a funcionária até às estantes, ouvindo a explicação sobre a organização de um tal fundo documental e aceitar os livros que lhes quer dar e que nunca irão ler;

4º Esperar, com ar interessado, e os livros na mão que lhes seja concedida autorização para fazerem a tão desejada pesquisa no computador... 

Afinal, aquilo que podiam fazer em cinco minutos ocupou-lhes o intervalo e lá se foi o lanche!

Caro leitor, convenhamos, não admira que as bibliotecas estejam vazias... tal como diziam as senhoras professoras na paragem do autocarro.

PS. Caros educadores, as escolas e as bibliotecas não podem alhear-se das reais necessidades dos alunos e das maravilhas que a tecnologia proporciona, nomeadamente a de terem a maior biblioteca do mundo no seu bolso. Esta realidade altera por completo a missão das bibliotecas e não há planos de ação que possam ser bem sucedidos se voltarem as costas à inovação e à tecnologia, pois, na verdade, estão a virar as costas aos alunos.

 

 

 

iWatch, iWatch meu, diz-me... quem tem melhor desempenho do que eu?

20
Set19

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O despertador toca às 8h.

Hoje não há preguiça. Temos de estar às 10h em ponto à porta da FNAC para sermos os primeiros a comprar o tão desejado relógio da Apple, ou, como familiarmente lhe chamamos, iWatch.

Como poderíamos não estar entusiasmados? Parece que o novo device é tão inteligente que, em caso de ataque cardíaco e até de uma queda grave, liga para o 112.

Já imaginou, caro leitor, o poder de um simples relógio?

Claro que isto nos criou algumas fantasias que nos assaltaram o espírito e nos levaram a divagações extraordinárias.

É óbvio que as funcionalidades deste novo aparelho são brilhantes e dignas de reparo. Se não vejamos: mede a nossa frequência cardíaca, com emissão de um relatório que podemos encaminhar para o médico de família; gere o período menstrual, o exercício físico, o nível de ruído, já para não falar no facto de ser cada vez mais uma réplica do iPhone. 

Mas, e se fôssemos mais atrevidos? Poderíamos chegar mesmo ao "iWatch, iWatch meu, diz-me... quem tem melhor desempenho do que eu?"

Já imaginamos os concursos em rede, as conversas entre colegas, a mostrarem os respetivos scores.

O nível de álcool consumido, a percentagem de gordura corporal, a atividade mental, física e sexual, por exemplo, e seria vê-los (ou como se diz agora... vê-los e vê-las, pedimos desculpa se esta não for a ordem correta)  a vangloriarem-se por fazerem a alimentação mais saudável ou, entre amigos, a compararem desempenhos sexuais, ou até o nível de poluição existente no bairro de cada um.

Já imaginou, caro leitor? Um sonho, um pesadelo ou uma inevitabilidade?

PS. As portas abriram-se, deixámo-nos de divagações e apressámos o passo. Queríamos ter a certeza que garantíamos a aquisição do tão desejado Apple Watch. 

 

A praga do politicamente correto

Fónix! Está tudo maluco?

19
Set19

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Ler a imprensa, nos dias que correm, tem que se lhe diga. Para além da estupefação das notícias do dia a dia, que vão desde a deturpação de relatórios europeus pelos detentores de cargos públicos, passando pelo favorecimento de amigos e familiares em negócios que acabam sempre por ser onerosos para todos nós, terminando com a suspeição criada pela abertura de inquéritos judiciais a políticos em funções de responsabilidade, estas situações parecem não ter fim. 

Amigo leitor, o que se passa com esta gente? Como pôr cobro a esta situação? 

Quer-nos parecer que, nas bocas dos especialistas, neste país, o mentiroso é o hábil, o que denuncia estas situações não tem jeito para a política e o que nos engana, rouba, sempre com um sorriso nos lábios é um animal político.

Num período que se queria de discussão de programas, de apresentação de ideias e de soluções para o país, é vê-los com pezinhos de lã, a medirem as suas palavras, não indo para além do politicamente correto e da estratégia do poder pelo poder.

E os jornalistas, a quem cabe a função de promover o debate, devidamente munidos da informação que interessa verdadeiramente aos portugueses, limitam-se a perguntas óbvias que até uma criança percebe que foram ensaiadas e, provavelmente, validadas superiormente. 

Caro leitor, serão assim tão inábeis? Tão mal preparados? Serão "mansos"? Não será esta a explicação para a decadência acelerada da imprensa? 

Quantas gerações serão necessárias para alterar este ciclo vicioso? O que pode a escola fazer para mostrar aos alunos que não devem seguir os modelos que veem todos os dias nos media?

Aqueles que deviam ser modelo, na atitude e na palavra, são aqueles que piores exemplos dão. Como se isso não bastasse, enchem a boca com conceitos como cidadania, ética e valores... que não praticam, e dão-se ao desplante de regulamentar a forma como estes conceitos devem ser trabalhados nas escolas.

Claro, ninguém que pense, os leva a sério. Concorda, amigo leitor?

PS. Esquecemo-nos de dizer que esta crónica foi escrita numa quinta feira à noite, depois de ver polígrafos, comentadores, especialistas e até alguns jornalistas a fazer de conta que se preocupam, quando, todos vemos, se alimentam disto.

Fónix, está tudo maluco?!

 

 

 

A Escola numa encruzilhada

Entre as modas e o peso da tradição

06
Set19

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O século em que vivemos não para de nos surpreender e maravilhar. Na impossibilidade de estarmos presentes num encontro de professores, só possível como infiltrados, foi com alegria inusitada que descobrimos nas redes sociais, where else?, o podcast da intervenção do professor António Sampaio da Nóvoa, no passado dia 4 de setembro, em Oeiras, que, sejamos francos, faz uma receção aos professores digna da notabilidade que estes deveriam ter... à beira da piscina, com música, o mar ao fundo e o que degustar.

Caro leitor, a clareza, a visão e a conjugação entre clássicos e contemporâneos, neste pensador português, surpreendem-nos sempre. Concorda, prezado leitor?

A Escola, quer tenhamos filhos em idade escolar, ou não, "é um bem comum" (A. Nóvoa), e é, por isso, um tema recorrente e obrigatório, para  o cidadão e para a sociedade no seu todo. Preocupa-nos, assim, vê-la numa espécie de "camisa de forças", dividida entre a necessidade de (se) inovar e o peso da tradição, própria de qualquer instituição que é balizada por normativos e que se rege por tradições seculares.

As modas na educação, forçadas pela contínua pressão do digital, que está cada vez mais presente no dia a dia do cidadão, empurram a Escola para a experimentação de todas as inovações que vão aparecendo, vendidas como "miraculosas" para o sucesso. E lá se veem os professores enredados numa rede que não funciona - a wi-fi - com equipamentos obsoletos e com alunos que não percebem o fim último desta "agitação" educativa.

Por outro lado, as "grandes reformas educativas" prometem a tão desejada autonomia, para que cada escola possa cumprir o seu desígnio, mas, quando os professores dão conta, estão a preencher plataformas e a prestar contas, como nunca.

Sejamos francos, amigo leitor! Haverá quem perceba mais de educação do que os próprios professores?

Concordamos em absoluto, com A. Nóvoa, quando diz que a Escola e os professores são insubstituíveis. E sabemos que não há inovação nem mudança que não parta da própria Escola. 

Lembra-se de já termos falado sobre isto, caro leitor? Quando dissemos, na crónica "Do uso da tecnologia na escola", que é a cultura de escola que alavanca qualquer mudança?

De facto, os professores não podem virar as costas aos "aportes" que a tecnologia e a ciência podem trazer à educação, mas, como para qualquer profissional, o tempo de integração, de experimentação e de avaliação é fundamental.

Preocupem-se os políticos e os órgão de gestão de municípios, de comunidades intermunicipais, de agrupamentos e de escolas, em criar as condições para um ambiente educativo capaz de se adequar a novas formas de organizar o tempo, o espaço e as pessoas. Para não falar dos currículos.

Afinal, caro leitor, não era para isto que deveria servir a tão badalada flexibilidade?

A História comprova-nos que as modas vão e vêm e que se mantém o essencial, como já dizia António Sérgio, em 1916.

"O trabalho na escola deve organizar-se em torno de centros de interesse, tendo em consideração “os interesses espontâneos da criança e as atividades económicas locais” António Sérgio (p. 144, 1916)."

PS. Palavras na ordem do dia para qualquer educador, mas também para qualquer cidadão: emoção e motivação. Criem-se as condições para que qualquer profissional, ou cidadão, possa viver a sua vida, profissional e pessoal, em pleno.

 

 

 

by influenciadores | work in progress

Falar para não estar calado

Os portugueses e os chavões

01
Set19

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Questionamo-nos, frequentemente, sobre a necessidade absurda que as pessoas têm de estarem sempre a falar, mesmo que seja para dizer coisa nenhuma. E aborrece-nos, sobretudo, quando utlizam os conhecidos chavões, frases feitas... pior, ainda, quando os utilizam para "rematar" uma conversa que tinha tudo para ser interessante.

Se não vejamos, caro leitor...

Será que esta nossa típica expressão "se não" já se está a transformar, ela própria, num chavão?

Vejamos alguns exemplos.

No restaurante, lá vem o funcionário oferecer uma entrada, que nos vai custar "os olhos da cara" (chavão!), para "abrir com chave de ouro" (chavão!). Para não falar da sobremesa e terminar com a mesma chave.

Na rua, encontramos um conhecido, que nos responde, invariavelmente, que "vai indo" (chavão!), independentemente do seu estado de espírito.

Em viagem, com o cônjuge, quando perguntamos o quer quer fazer, diz sempre "o que tu quiseres" (chavão!), para depois se iniciar uma discussão sobre o que escolhemos que não correspondeu às suas expetativas. Aqui é caso para utilizar o chavão "eu bem te disse!"

Na loja, quando experimentamos uma peça de roupa, que até uma criança vê que nos fica mal, e o empregado, com ar de entendido, nos diz "cai-lhe que nem uma luva" (chavão!).

Em contexto laboral, quando se tenta implementar algo de novo, como por exemplo utilizar uma nova ferramenta, que funciona exatamente da mesma forma que a anterior, para não dizer que é até mais fácil de usar, e nos olham com receio, dizendo, com algum desespero, "precisamos de formação" (chavão!). 

No pub, enquanto se assiste a um jogo de futebol e se bebe uma cerveja, e, no fim do jogo, um cliente remata a conversa com um "aconteceu futebol!" (chavão!) e outro, cujo clube perdeu, responde "voltamos à estaca zero" (chavão!).

Caro leitor, é caso para usar o chavão "o silêncio é de ouro".

Vivemos numa sociedade em que as pessoas estão a perder a capacidade de ser e estar... de sermos nós próprios, aceitando o que nos caracteriza e mostrando empatia pelo outro... de estarmos sem preconceitos, sem receio de sermos mal vistos ou interpretados. Mesmo que isso implique estar em silêncio.

PS. Converse, sem filtros sociais. Assuma as suas convicções e aceite que pensem de forma diferente. É nesta diferença que se criam novos patamares de entendimento. E, por favor, evite chavões.

 

by influenciadores | work in progress

Ler, ler, ler...

Já Albert Einstein dizia: para que as crianças sejam inteligentes, leiam-lhes contos de fadas

31
Ago19

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A mania dos podcasts, que teimamos em ouvir quando viajamos de carro, levou-nos até Neil Gaiman (NG) e este até esta citação de Albert Einstein: "para que as crianças sejam inteligentes, leiam-lhes contos de fadas".

Neste podcast, NG fala do futuro, que não vê sem livros, leitura, bibliotecas, bibliotecários e sonhos, muitos sonhos.

Os professores, os pais, os editores teimam em dizer que as crianças não gostam de ler, que leem cada vez menos. De facto, se olharmos para a leitura como ato isolado entre o leitor e o livro, é verdade. Contudo, se tivermos em conta a forma como se lê hoje, em suportes variados, de forma isolada ou em rede, chegamos à conclusão que se lê mais e em qualquer idade. 

Caro leitor, o que mudou foi a forma como lemos, onde lemos e o que lemos. Concorda?

Neste contexto, não podemos pôr de lado os últimos estudos que mostram, de forma clara, que o ato de ouvir ler ativa os mesmos processos neurológicos que o ato de ler.

Lembra-se o caro leitor o que dizemos na crónica "Ler ou ouvir? Como aprendemos melhor?"

A acessibilidade ao objeto de leitura tem de ser, por isso, o mais fácil e transparente possível. Aliás, se olharmos para o gráfico abaixo, retirado do estudo da Gfk (2016), constatamos que os portugueses, de todos os níveis etários, excepto na faixa de mais de 60 anos, apontam para a importância que tem a facilidade de acesso à leitura, o que abre a porta para novas formas de trabalhar a leitura, nas escolas, nas bibliotecas, em casa.

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Fonte: Comunidade, Cultura e Arte, 16 de março de 2018. 

Defendemos, como NG, que a leitura deve ser sempre um ato de prazer e que aquilo que é bom para uns, pode não o ser para outros. O importante é que as crianças e os jovens leiam, sobretudo ficção, pois é esta que desenvolve a capacidade de sonhar, de conhecer novos mundos, que dão azo ao uso da imaginação e alimentam a criatividade. Estas duas características são fundamentais para desenvolver o espírito crítico, a capacidade de comunicação e a empatia pelo outro.

Amigo leitor, se as nossas crianças conhecerem novos mundos, vão querer sempre melhorar o nosso. Por isso, deixem-nas ler... o que quiserem, como e onde quiserem.

Não nos esqueçamos que o mundo está em perpétua mudança e a mudança, como referia Camões, também. E aquilo que hoje é aceite como regra, rapidamente poderá deixar de o ser. Relembre-se o exemplo de Enid Blyton e outros autores, hoje considerados obrigatórios, e que, na sua época, eram vistos como menores. Ou que a leitura de banda desenhada já foi, em tempos, considerada uma forma de iliteracia e o policial um género pouco valorizado e até desprezado.

PS. Caro leitor, já pensou que, ao invés de estarmos a fomentar a leitura, podemos estar a destruí-la com listas de livros obrigatórios e recomendados? Leve o seu filho à biblioteca e deixe-o completamente livre para olhar, folhear, escolher.

Caros bibliotecários, não façam só aquisições com base em prescrições ou modas. Alarguem os vossos horizontes para assim alargar os do vosso público.

 

by influenciadores | work in progress

 

A tecnologia, parceira ou adversária?

Onde? Quando? Com quem? E como quiser!

30
Ago19

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Numa roda de amigos, demos connosco a falar dos filhos que alguns têm a estudar longe, mercê do facto de não terem tido vaga na universidade portuguesa. Uns lastimavam-se pela distância, outros contrapunham, dizendo que, de avião, estavam a poucas horas e, para nosso espanto, um casal  acrescentou que, apesar da distância, todos os dias se ligavam, via Skype, com a sua filha a estudar no estrangeiro e jantavam "virtualmente".

Esta conversa levou-nos a pensar no medo que a tecnologia suscita, por se achar que cria um fosso tremendo nas relações humanas, e recordámos o tempo em que os filhos estavam fechados nos quartos "ligados ao ecrã", só saindo para comer, após vários gritos ou um SMS ameaçador, enviado pelos pais e, quase sempre, sob ameaça de lhes tirarem o computador.

De facto, os tempos são outros e a tecnologia existe para nos servir. Muito se fala dos seus malefícios. Esquecemo-nos, frequentemente, que ela, como todas as criações humanas, tem o seu lado bom e mau, consoante o uso e o fim que lhe damos. Sempre foi assim com qualquer artefacto humano.

Sim, mas o toque humano é fundamental, dirá o nosso leitor.

As relações humanas vivem desse "estar com o outro", mas, face à mobilidade que caracteriza o nosso tempo, quer falemos dos estudos, quer da vida profissional e social, a existência da tecnologia permite-nos estar, partilhar e viver em sintonia com os outros, quando a situação que vivemos não nos permite o tal toque. Basta um clique.

A tecnologia pode, contudo, transformar-se numa adversária, quando não a sabemos usar. Quando se torna uma dependência que nos afasta do outro, da vida. Quando nos desencaminha. Quando não estamos preparados para aquilo que encontramos na Web e não processamos a informação com espírito crítico. Quando não cuidamos da nossa reputação e descuidamos a privacidade.

Bem estão os que a sabem usar em seu benefício, com conta, peso e medida. Independentemente da forma como a utilizamos, o facto é que a tecnologia marca todos os aspectos da nossa vida: como trabalhamos, como estudamos, como amamos, como nos relacionamos, como nos divertimos.

Caro leitor, ainda se lembra do martírio que era pedir uma certidão de nascimento? Renovar o bilhete de identidade, fazer qualquer transação bancária? Ainda é desse tempo? 

Indelevelmente, o mundo está a mudar. A tecnologia derrubou obstáculos, aproximou as pessoas, universalizou o acesso ao conhecimento. Se olharmos para trás, já não seremos capazes de nos imaginar sem  este mundo dominado pela inovação constante, pelo prazer de descobrir novas formas de viver. Porque, quer queiramos, quer não, vivemos de forma muito diferente.

PS.  Entrámos no carro e os olhos dirigiram-se para o ecrã à nossa frente, vimos as condições do trânsito, o melhor percurso e a hora de chegada. No banco de trás, já se criava um grupo no FaceTime para se saberem novidades da família, a todo o momento.

 

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